Romance em França

A autenticidade do fenômeno mediúnico de Chico Xavier em provas históricas no romance "Renúncia"

2020.11.24 18:45 assis96 A autenticidade do fenômeno mediúnico de Chico Xavier em provas históricas no romance "Renúncia"

O livro "Renúncia", psicografia de Chico Xavier pelo espírito Emmanuel foi publicado em 1944. A narrativa é uma história real que se passa no reinado de Luís XIV, século XVII e XVIII, onde as personagens passam em França, Espanha, Irlanda e Américas. O romance é lindíssimo, vale a pena a leitura, a experiência emotiva no tocante ao sentimento, proporciona grandes aprendizados.
Um acadêmico brasileiro, Gilmar Trivelato, realizou uma minuciosa e profunda pesquisa nesse livro se atentando para os elementos factuais históricos contidos nessa obra. É impressionante a quantidade e nível de detalhes q ele encontrou nas entrelinhas da história que corroboram com a autenticidade da mediunidade de Chico Xavier. São aspectos da vida cotidiana das pessoas daquela época, revelações da geografia, da política, da economia, entre outras informações nas quais não seria possível para o médium ter acesso.
Eram desconhecidas no início dos anos 1940 para os historiadores da época de publicação do livro: determinadas descrições detalhadas do plano urbanístico de Paris; sobre a existência de produção industrial de linho em Belfast na Irlanda; sobre a presença de sacerdotes católicos no estado do Connecticut nos EUA; entre várias outras coisas. Só depois tiveram pesquisas de historiadores acadêmicos comprovando esses fatos. O mais impressionante é q o Chico psicografou esse romance em cerca de 3 meses apenas.
Pra quem ler o livro online tem este site
Segue alguns links de vídeos do Gilmar Trivelato falando a respeito disso. - palestra - entrevista
submitted by assis96 to Livros [link] [comments]


2020.11.23 03:47 assis96 A autenticidade do fenômeno mediúnico de Chico Xavier em provas históricas no romance "Renúncia"

O livro "Renúncia", psicografia de Chico Xavier pelo espírito Emmanuel foi publicado em 1944. A narrativa é uma história real que se passa no reinado de Luís XIV, século XVII e XVIII, onde as personagens passam em França, Espanha, Irlanda e Américas. O romance é lindíssimo, vale a pena a leitura, a experiência emotiva no tocante ao sentimento, proporciona grandes aprendizados.
Um acadêmico brasileiro, Gilmar Trivelato, realizou uma minuciosa e profunda pesquisa nesse livro se atentando para os elementos factuais históricos contidos nessa obra. É impressionante a quantidade e nível de detalhes q ele encontrou nas entrelinhas da história que corroboram com a autenticidade da mediunidade de Chico Xavier. São aspectos da vida cotidiana das pessoas daquela época, revelações da geografia, da política, da economia, entre outras informações nas quais não seria possível para o médium ter acesso.
Eram desconhecidas no início dos anos 1940 para os historiadores do mundo: determinadas descrições detalhadas do plano urbanístico de Paris; sobre a existência de produção industrial de linho em Belfast na Irlanda; sobre a presença de sacerdotes católicos no estado do Connecticut nos EUA; entre várias outras coisas.
Segue alguns links de vídeos do Gilmar Trivelato falando a respeito disso. - palestra - entrevista
submitted by assis96 to Espiritismo [link] [comments]


2020.10.27 23:03 leonardofragas Um guia para ter cultura, por Paulo Francis

Um guia para ter cultura, por Paulo Francis
https://preview.redd.it/ob286jmvkpv51.png?width=1080&format=png&auto=webp&s=98787e8245cd77cc7ae59b31813c5b11a168e7aa
Pedem minha ficha acadêmica para jovens vestibulandos… Não tenho. Tentei um mestrado na Universidade Columbia em Nova York 1954, mas desisti, aconselhado pelo professor-catedrático Eric Bentley. Achou que eu perdia o meu tempo. Li toda a literatura relevante, de Ésquilo a Beckett, e sabia praticamente de cor a Poética de Aristóteles. Em alguns meses se lê tudo que há de importante em teatro. Li e reli anos a fio.
Mas, sem o doutorado ou nem sequer mestrado, me proponho fazer algumas indicações aos jovens, que, no meu tempo, seriam supérfluas, mas que, hoje, talvez tenham o sabor de novidade. Falo de se obter cultura geral. É fácil.
Educação era a transmissão de um acúmulo de conhecimentos. Hoje, é uma adulação da juventude, que supostamente deve fazer o que bem entende, estar na sua, como dizem, e o resultado é que os reitores de universidades sugerem que não haja mais nota mínima de admissão, que se deixe entrar quem tiver nota menos baixa. Deve haver exceções, caso contrário o mundo civilizado acabaria, mas a crise é real, denunciada por gente como o príncipe Charles, herdeiro do trono inglês, e por intelectuais como Alan Bloom, que consideram a universidade perdida nos EUA. No Brasil, houve a Reforma Passarinho nos anos 80. A ditadura militar tinha o mesmo vício da esquerda. Queria ser popular. Era populista. Quis facilitar o acesso universitário ao povo, como reza o catecismo populista. Ameaça generalizar o analfabetismo.
Não há alternativa à leitura. Me proponho apontar alguns livros essenciais ao jovem, um programa mínimo mesmo, mas que, se cumprido, aumentará dramaticamente a compreensão do estudante do mundo em que está vivendo.
Começando pelo Brasil, é indispensável a leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha. É curto e não é modelo de estilo. Euclides escreve como Jânio Quadros fala. É cara do far-te-ei, a forma oblíqua de que Jânio se gaba. Mas o livro é de gênio. Nos dá a realidade do sertão, que é, para efeitos práticos, o Brasil quase todo, tirando o Sul; a realidade do sertanejo, e do nosso atraso como civilização, como cultura, como organização do Estado. Euclides mostra o choque central entre o Brasil que descende da Europa e o Brasil tropicalista, nativo, selvagem. Euclides apresenta argumentos hoje superados sobre a superioridade da Europa, mas nem por isso deixa de estar certo. Tudo bem ter simpatia pelo índio e o sertanejo, o matuto, mas nosso destino é ser, à brasileira, à nossa moda, um país moderno nos moldes da civilização européia. Euclides começou o livro para destruir Antônio Conselheiro e a Revolta de Canudos, mas se deixou emocionar pela coragem e persistência dos revoltosos e terminou escrevendo um grande épico, em prosa, que o poeta americano Robert Lowell, que só leu a tradução, considera superior a Guerra e Paz, de Tolstoi.
Mas o importante para o jovem é essa escolha entre o primitivo irredentista dos Canudos e a civilização moderna, porque é o que terá de enfrentar no cotidiano brasileiro. É o nosso drama irresolvido.
Leia algum dos grandes romances de Machado de Assis. O mais brilhante é Memórias Póstumas de Brás Cubas. Para estilo, é o que se deve emular. O coloquialismo melodioso e fluente de Machado. É um grande divertimento esse livro. Eu recomendaria ainda para os que tem dificuldade de manejar a língua O Memorial de Aires. É o livro mais bem escrito em português que há.
Os gregos são um dos nossos berços. Representam a luz e a doçura, na frase de um educador inglês, Mathew Arnold (também poeta e crítico). Arnold falava contra a tradição judaico-cristã, dominante na nossa cultura, na nossa vida, a da Bíblia e do Novo Testamento, que predominaram no mundo ocidental desde o Século V da Era Cristã, quando o imperador romano Constantino se converteu ao cristianismo. Estudos gregos sérios só começaram no Século XIX, quando se tornaram currículo universitário, porque antes os padres e pastores não deixavam.
Mas leia originais. Escolhi quatro. Depois de se informar sobre Platão na enciclopédia do seu gosto, se deve ler A Apologia, que é a explicação de Sócrates a seus críticos, quando foi condenado à morte, e Simpósio, um diálogo de Platão. Platão não confiava na palavra escrita. Dizia que era morta. Preferia a forma de diálogo. Na A Apologia se discute o que é mais importante na vida intelectual. A liberdade de ter opiniões contra as ortodoxias do dia. Ajudará o estudante a pensar por si próprio e ter a coragem de suas convicções.
Depois, o delicioso Simpósio. É uma discussão sobre o amor, tudo que você precisa saber sobre o amor sensual, o altruístico, o que chamam de platônico, é o amor centrado na sabedoria.
Platão colocou, à parte Sócrates, seu ídolo, no Diálogo, Aristófanes, o grande gozador de Sócrates. Na boca de Aristófanes põe uma de suas idéias mais originais. Que o ser humano era hermafrodita, parte homem parte mulher, e que cada pessoa, depois da separação, procura recuperar sua parte perdida, e daí a predestinação da mulher certa para um homem e do homem certo para uma mulher.
Imprescindível também ler As Vidas, de Plutarco, o grande biógrafo da Antiguidade. Ficamos sabendo como eram os grandes nomes em carne e osso, de Alexandre, paranóico, a Júlio César, contido, a Antônio e Cleópatra. Shakespeare baseou grande parte de suas peças em Plutarco e leu em tradução inglesa, porque Shakespeare, como nós, não sabia latim ou grego. E, finalmente, como história, leia A Guerra do Peloponeso, de Tucídides. É sobre a guerra entre Atenas, Esparta, Corinto e outras, durante 27 anos, no Século V antes de Cristo. Lendo sobre Péricles, o líder ateniense, Cleon, o führer espartano, e Alcebíades, o belo, jovem e traiçoeiro Alcebiades, nunca mais nos surpreenderemos com qualquer ato de político em nossos dias. É o maior livro de história já escrito. Sempre atual.
Da Roma original basta ler Os Doze Césares, de Suetônio, e Declínio e Queda do Império Romano, de Gibbon. Mais um banho de natureza humana.
Meu conhecimento científico é quase nenhum. Mas li, claro, a Lógica da Pesquisa Científica, de Karl Popper, quando entendi o que esses cabras querem. Para quem quer um começo apenas, recomendo o prefácio do Novum Organum, de Francis Bacon, que quer dizer, o título, novo instrumento, e Bacon explica o método científico e o que objetiva a ciência. E para complementá-lo leia o prefácio dos Os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural de Isaac Newton, e o prefácio de Bertrand Russell e Alfred North Whitehead de seus Principios da Matemática. Também vale a pena ler a História da Filosofia Ocidental de Bertrand Russell, e o capítulo sobre Positivismo Lógico que é a filosofia calcada no conhecimento científico. Em resumo, tudo que pode ser provado lógica e matematicamente, é filosofia.O resto não é. Acho isso perfeitamente aceitável. Dispenso o resto.
É nas artes que está a sabedoria. Como viver bem sem ler Hamlet, de Shakespeare? Está tudo lá em linguagem incomparável, é de uma clareza exemplar, tudo que nós já sentimos, viremos a sentir, ou possamos sentir.
Preferi citar junto com Shakespeare uma peça grega, que considero vital: Antígona, de Sófocles. Há uma tradução de Antígona, em verso, por Guilherme de Almeida, que Cacilda Becker representou no Teatro Brasileiro de Comédia.
Antígona é o que há de melhor na mulher. É a jovem princesa cujos irmãos morreram em rebelião contra o tio, o rei Creon, e ela quer enterrá-los, porque na religião grega espíritos não descansam enquanto os corpos não são enterrados. Creon não quer que sejam enterrados, como advertência pública a subversivos. Antígona desafia Creon. Ele manda matá-la. Ela morre. Seu noivo se suicida. É o filho de Creon, que enlouquece. Parece um dramalhão, mas não é. É a alma feminina devassada em toda sua possibilidade fraterna. Hegel achava que Antígona era o choque de dois direitos, o direito individual e o direito do Estado. E assim definiu a tragédia.
A melhor história de Roma é a de Theodore Mommsem. A melhor história da Renascença é a de Jacob Buckhardt. Tudo que você precisa saber.
E aprenda com um dos mais famosos autodidatas, Bernard Shaw (o outro é Trotski). Leia todos os prefácios das peças dele. São uma história universal. Um estalo de Vieira na nossa cabeça. Em um dia você lê todos. Anotando, uma semana. Também vale a pena ler a Pequena História do Mundo, de H.G.Wells, superada em muitos sentidos, mas insuperável como literatura.
Passo tranqüilo pelo Iluminismo. Foi tão incorporado a nossa vida, que não é necessário ler Voltaire ou Diderot. Os livros de Peter Gay sobre o Iluminismo são excelentes. Dizem tudo que se precisa saber. Se se quer saber mesmo o que foi o cristianismo, a obra insuperada e As Confissões de Santo Agostinho, uma das grandes autobiografias, à parte a questão religiosa.
Não é preciso ler A Origem das Espécies, de Darwin, mas é um prazer ler Viagens de um Naturalista ao redor do Mundo, as aventuras de Darwin como botânico e zoólogo, a bordo do navio inglês Beagle, nos anos 1830, pela América do Sul, com páginas inesquecíveis sobre Argentina, Brasil e Galápagos, que está até hoje como Darwin encontrou (e o Brasil e Argentina, na sua alma?)
Houve três grandes revoluções no mundo, a americana, a francesa e a russa. A literatura não poderia ser mais copiosa. Mas basta ler, por exemplo, Cidadãos, de Simon Schama, para se ter um relato esplêndido da revolução interrompida, 1789-1794, na França, e concluir com o livro de Edmund Wilson, Rumo à Estação Finlândia. Schama é conservador, Wilson não era, quando escreveu, fazia fé, ainda na década de 30, como tanta gente, na Revolução Russa. Mas a esta altura, e mesmo antes de ele morrer, em 1972, é fácil notar que a Revolução Russa não teve o Terror interrompido, como a Francesa, mas continuou até Gorbachev revelar o seu imenso fracasso.
O melhor livro sobre a Revolução Francesa é História da Revolução em França, de Edmund Burke, de 1790, que previu o Terror de Robespierre e Saint-Just. Se o estudante quer um livro a favor da Revolução Francesa, leia, o título é o de sempre, o de Gaetano Salvemini. A favor da russa a de Sukhanov, que a Oxford University Press resumiu num volume, ou A Revolução Russa, de Trotski, um clássico revolucionário. Mas os fatos falam mais alto que o brilho literário de Trotski.
Sobre a Revolução Americana não conheço livro bom algum traduzido, mas por tamanho e qualidade, um volume só, sugiro a da editora Longman, A History of the United States of America, do jovem historiador inglês Hugh Brogan, 749 págs, apenas, quando comprei custava US$ 25. Tem tudo que é importante.
Em economia, a Abril publicou 50 volumes dos principais economistas. Eu não perderia tempo. Têm tanta relação com a nossa vida como tiveram Zélia e a criançada assessora. Mas há o Dicionário de Economia, também da Abril. Quando tascarem o jargão, você consulta para saber, ao menos, o que significa a embromação. Economia se resume na frase do português: quem não tem competência não se estabelece.
Dos romances do Século XIX, Guerra e Paz, de Tolstoi, e Crime e Castigo, de Dostoiévski, me parecem absolutamente indispensáveis. Guerra e Paz porque é o retrato completo de uma sociedade como uma grande família, porque rimos e choramos sem parar, porque contém um mundo e as inquietações do protagonista, Pierre Bezhukov, que até hoje não foram respondidas. Crime e Castigo, porque exemplifica toda a filosofia de Nietzsche de uma maneira acessível e profundamente dramática, de como o cérebro humano é capaz de racionalizar qualquer crime, que tudo é relativo, em suma, a pessoa que pensa e age, como Raskólnikov, o protagonista. Vale tudo. Dostoiévski, para nos impedir de aniquilar uns aos outros, acrescenta que não se pode viver sem piedade.
Dos modernos, Proust é maravilhoso, mas penoso, Joyce é desnecessário, mas vale a pena ler as obras-primas de Thomas Mann, A Montanha Mágica, para saber o que foi discutido filosoficamente neste século, e Dr. Fausto, que leva o relativismo niilista que domina a cultura moderna e de que precisamos nos livrar, se vamos sobreviver culturalmente, como civilização, e não como meros consumidores, num nível abjeto de satisfação animal. Há muitas obras que me encantaram e não estou, de forma alguma, excluindo autores ou quaisquer livros. A lista que fiz me parece o básico. Em algumas semanas, duas horas por dia, se lê tudo. Duvido que se ensine qualquer coisa de semelhante nas nossas universidades. Se eu estiver enganado, dou com muito prazer a mão à palmatória.
— Paulo Francis, O Estado de São Paulo, 30 de Maio de 1991
submitted by leonardofragas to brasilivre [link] [comments]


2020.07.04 20:50 rimbaud17 Sepulcros de Cowboys, de Roberto Bolaño

SINOPSE
Sepulcros de Cowboys é fundamental para a compreensão da génese e da evolução de um dos mais fascinantes universos ficcionais dos nossos dias. Depois de O Espírito da Ficção Científica, vem agora a público um novo conjunto de inéditos de Roberto Bolaño: «Pátria», «Sepulcros de cowboys» e «Comédia do horror de França». Em «Pátria», o poeta Rigoberto Belano destrinça os efeitos do golpe de Estado do Chile, nomeadamente na sua família: a mãe perdeu o emprego de professora, o irmão foi torturado e a irmã passou a sofrer de depressão. Em «Sepulcros de cowboys», um jovem chamado Arturo viaja do Chile para o México e o Panamá e daqui de volta ao Chile, de barco. Durante esta viagem, pede a um dos passageiros, um padre jesuíta, que leia a história de ficção científica inacabada, que tinha vindo a escrever sobre uma invasão de formigas extraterrestres - e que acaba com a oferta de um lugar, às ditas formigas, nas Nações Unidas. E, em «Comédia do horror de França», o jovem poeta Diodoro Pilon junta-se a uma misteriosa organização, o Grupo Surrealista Clandestino, que recruta novos membros através de chamadas aleatórias para cabines telefónicas em todo o mundo. Provenientes de uma época em que Roberto Bolaño ainda «ensaiava» os que viriam a ser os seus mais icónicos romances, estes escritos revelam já os grandes temas e as personagens que deram vida a toda a sua obra posterior.
CRÍTICAS DE IMPRENSA«Uma oportunidade única e fascinante: ver um autor com talento a abrir o seu caminho.» El País, Babelia
«Os fanáticos de Bolaño - a sua legião - seguramente agradecem o acesso até ao último dos seus apontamentos.» La Nación
«Só um grande artista pode mover-se com tal liberdade pelos territórios da imaginação.» ABC Cultural
«Aqui está de novo, em génio e figura, o "perro romântico": o jovem Belano.» El Espectador


https://mega.nz/foldemYwnnILa#E7YkGpsIZUP_cP4p7YHKYg
submitted by rimbaud17 to Biblioteca [link] [comments]


2020.06.21 21:45 _BlueSapphire 2 Livros de Joanne Harris

Danças & Contradanças
As sarcásticas histórias de Danças & Contradanças podem ser resumidas em duas palavras: malévolas e maliciosas. Como em muitos dos seus romances, Joanne Harris consegue combinar de uma forma única situações e personagens comuns - e até banais - com o extraordinário e o inesperado. Mais do que nunca, a autora dá largas à sua imaginação e apresenta-nos uma exuberante e prodigiosa caixa de Pandora que contém tudo quanto é extravagante, estranho misterioso e perverso. De bruxas suburbanas a velhinhas provocadoras, monstros envelhecidos, vencedores da lotaria suicidas, lobisomens, mulheres-golfinho e fabricantes de adereços eróticos, estas são vinte e duas histórias onde o fantástico anda de mãos dadas com o mundano, o amargo com o doce, e onde o belo, o grotesco, o sedutor e o perturbador estão sempre a um passo de distância. Escolham o vosso par, por favor. Danças & Contradanças é o primeiro livro de contos de Joanne Harris, que, com a mestria a que já nos habituou, consegue deliciar, surpreender, entreter e horrorizar em igual medida. Suficientemente longas para aguçar o apetite, e breves a ponto de serem lidas num piscar de olhos, estas são histórias maliciosas, divertidas, por vezes provocadoras, mas sempre pessoais e capazes de revelar uma faceta de Joanne Harris até agora desconhecida dos seus leitores.
Vinho Mágico
Em Vinho Mágico a história é-nos contada por uma garrafa de Fleurie 1962, um vinho vivo e tagarela, alegre e um pouco impertinente, com um acentuado sabor a amoras.
Jay Mackintosh, em tempos um escritor de sucesso, encontra-se em crise, leva uma vida sem sentido e entrega-se à bebida. Até ao dia em que abandona Londres e se instala em França, na aldeia de Lansquenet (a mesma aldeia que serviu de cenário a Chocolate, o primeiro romance de Joanne Harris). A partir daí a sua vida vai modificar-se, nomeadamente por acção da solitária Marise (que esconde um terrível segredo por detrás das persianas fechadas) e das recordações de Joe, um velho muito especial que conheceu na infância e que lhe ofereceu precisamente essa garrafa de propriedades invulgares e misteriosas...
Ebooks: https://mega.nz/foldeuKQxlIyJ#paC4RHwpyEy0rLCTsqWREg
submitted by _BlueSapphire to Biblioteca [link] [comments]


2020.04.17 19:05 wolfsuper O Despertar do Mundo - Rhidian Brook

SINOPSE
Em 1945, enquanto o mundo celebra a vitória sobre o exército nazi, a Alemanha derrotada é dividida. De um lado, a União Soviética. Do outro, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França. A Guerra Fria está prestes a começar. Em Hamburgo, grupos de crianças esfomeadas vasculham os destroços em busca de alimentos, famílias desalojadas lutam por abrigos imundos. É nesta cidade arruinada que o coronel Lewis Morgan é encarregado de repor a paz. O governo inglês requisita uma casa para o acolher a ele e à família. Aos proprietários da mansão resta a indigência. É então que o coronel propõe uma solução inédita: a partilha do espaço. Mas ao contrário do que coronel espera, este pacto vai ser explosivo. A sua mulher, Rachel, vive fechada em si própria. O filho de ambos, Edmund, debate-se com uma solidão extrema. A alemã Freda é a adolescente rebelde, filha de Herr Lubert, um homem de elite inconformado com a submissão que lhe é imposta. Entre segredos e traições, a vida na casa é uma bomba-relógio que uma paixão proibida ameaça ativar.. Baseado no extraordinário ato de bondade do avô do autor, O Despertar do Mundo pinta um retrato único da guerra vista do lado dos perdedores.
Rhidian Brook escreve para além de ficção, também para o cinema e para a televisão. O seu primeiro romance, The Testimony of Taliesin Jones venceu, entre outros prémios, o Somerset Maugham Award. Os seus contos figuram nas mais variadas publicações, tais como a New Statesman e a Time Out, sendo também transmitidos na rádio.
Link: https://mega.nz/foldeH0tjHaBR#GHn5HusQ5D309U4Ut-40dA
submitted by wolfsuper to Biblioteca [link] [comments]


2020.03.04 21:00 wolfsuper Coração tão branco - Javier Marías

SINOPSE
«O melhor e mais ambicioso romance de Marías.» El País
Coração tão branco, profusamente premiado e unanimemente aclamado pela crítica espanhola e internacional, é já um clássico da literatura contemporânea. Premio Nacional de la Crítica (Espanha) * IMPAC Dublin Award (Irlanda) * Prix l'Oeil et la Lettre (França)
Durante um almoço de família, Teresa, acabada de regressar de lua-de-mel, vai à casa de banho, olha-se ao espelho, desabotoa a blusa e mata-se com um tiro no coração. Muitos anos depois, este segredo continua a fascinar Juan, cujo pai foi casado com Teresa antes de casar com a sua mãe. Jovem e recém-casado, e ainda pouco adaptado à mudança de estado civil, Juan procura descobrir o motivo por trás do suicídio de Teresa. Só uma pessoa sabe porque Teresa o fez, e guardou para si esse segredo obscuro durante muitos anos. À medida que procura saber mais, Juan sentirá um mal-estar crescente, uma sensação de «desastre iminente» em relação ao seu próprio casamento. A chave desse mal-estar, porém, pode estar no passado, uma vez que o pai haveria de se casar três vezes antes de ele poder nascer... Um romance hipnótico sobre o segredo, o dito e o não-dito, o casamento, a suspeita e a tentação. Uma história de corações brancos, que se vão tingindo e acabam por ser o que nunca quiseram ser.
Sobre Coração tão branco:
«Javier Marías escreve com elegância, astúcia e autêntico suspense. Apesar disso, é a profunda incerteza ontológica no centro da sua obra que a torna tão inquietante e verdadeira ao mesmo tempo.» The Times Literary Supplement
«Uma obra marcante de um verdadeiro artista.» Le Monde
«Tal como Javier Marías já nos habituou, as aventuras mais divertidas e apaixonantes acontecem em paralelo com as observações mais certeiras e intelectuais.» Le Nouvel Observateur
«Tão singular quanto brilhante... Um romance divertido e inteligente.» The Washington Post «Assombrosamente hábil na construção dos romances, Marías tem um verdadeiro talento para a construção da trama e para os inúmeros enredos das vidas interiores das suas personagens.» Der Spiegel
Link: https://mega.nz/#F!u5FTRapZ!57uQzWytZGKgXGgpgIsOMQ
submitted by wolfsuper to Biblioteca [link] [comments]


2020.02.29 17:53 rimbaud17 Os Detectives Selvagens, de Roberto Bolaño

Um grande livro...
https://mega.nz/#F!JC4TzQYI!ILW4PrKvk4WverSGdY-VJQ
SINOPSE
Arturo Belano e Ulisses Lima, os detectives selvagens, procuram a pista de Cesária Tinajero, a misteriosa escritora desaparecida no México nos anos imediatamente a seguir à Revolução, e essa busca - a viagem e as suas consequências - prolonga-se durante vinte anos, desde 1976 até 1996, o tempo canónico de qualquer errância, bifurcando-se através de múltiplos personagens e Continentes num romance onde há de tudo: amores e mortes, assassinatos e fugas turísticas, manicómios e universidades, desaparições e aparições. Os seus cenários são o México, a Nicarágua, os Estados Unidos, a França, a Espanha, a Áustria, Israel, África, acompanhando sempre os detectives selvagens - poetas «desperados», traficantes ocasionais -, Arturo Belano e Ulisses Lima, os enigmáticos protagonistas deste livro que pode ler-se como um refinadíssimo thriller wellesiano, atravessado por um humor iconoclasta e feroz. Entre os personagens, destaca-se um fotógrafo espanhol no último degrau de desespero, um neonazi borderline, um toureiro mexicano reformado que vive no deserto, uma estudante francesa leitora de Sade, uma prostituta adolescente em fuga constante, uma prócere uruguaia no 68 latino-americano, um advogado galego ferido pela poesia, um editor mexicano perseguido por pistoleiros profissionais. Um romance extraordinário em todos os sentidos, que confirma a deslumbrante qualidade literária de Roberto Bolaño.
CRÍTICAS DE IMPRENSA «Com Os Detectives Selvagens, Roberto Bolaño assina um dos mais significativos monumentos literários de finais do século XX, confirmando aquilo que a crítica vinha dizendo do seu trabalho. Autor dedicado à investigação, levada às últimas consequências, em torno da linguagem e da sua componente literária, Bolaño compõe um gigantesco fresco geracional que cruza tempos e geografias várias num ritmo narrativo de muitos fôlegos onde é visível o virtuosismo no uso de figuras e técnicas literárias, modos diversos de apropriação do mundo e da sua conversão em linguagem. (...) Depois de Júlio Cortazar (Rayuela) e Manuel Mujica Lainez (Bomarzo), Bolaño junta-se agora ao panteão da literatura latino-americana t5raduzida para a nossa língua. E se alguma justiça houver entre escolhas e balanços editoriais, este será, sem dúvida, um dos livros do ano.» Sara Figueiredo Costa
«O que este livro é, no fundo, é uma espécie de cenotáfio, um canto fúnebre, um monumento à memória de todos os poetas desconhecidos que se perderam pelo mundo, inexistentes, sonhados, risíveis e trágicos, àqueles a quem faltou, talvez, um pouco mais de azul.» Mário Santos, Público
«Um dos cinco melhores livros publicados nos Estados Unidos em 2007.» The New York Times
«O tipo de romance que Borges aceitaria escrever... um livro original e formosíssimo, divertido, comovedor, importante.» El País
submitted by rimbaud17 to Biblioteca [link] [comments]


2019.12.18 00:38 wolfsuper A rede de Alice - Kate Quinn

Um romance de glória e sacrifício que fará com que os leitores embarquem nessa aventura e façam questão de não abandoná-la até a última página. Neste romance histórico hipnotizante, duas mulheres – uma espia recrutada para a Rede de Alice, esquema real que ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, e uma universitária americana que procura a sua prima no final da Segunda Guerra – são unidas numa história de coragem e redenção.
1947: no caótico fim da Segunda Guerra Mundial, Charlie St. Clair é uma universitária grávida, sem marido e prestes a ser expulsa de casa pela sua família. Ela também nutre uma esperança desesperada de que sua prima Rose, desaparecida durante a ocupação nazi da França, ainda possa estar viva. Então, quando os pais de Charlie a levam para a Europa para cuidar de seu pequeno"problema", Charlie foge para Londres, determinada a saber o que aconteceu com a prima que ela ama como a uma irmã.
1915: Eve Gardiner quer lutar contra os alemães na Primeira Guerra Mundial. Ela recebe essa possibilidade ao ser recrutada como espia e enviada para França, onde é treinada por Lili, a rainha das espias, que gere uma vasta rede de informadores debaixo do nariz dos inimigos. Trinta anos depois, assombrada pela traição que desmantelou a Rede de Alice, Eve passa seus dias bêbada em sua casa em Londres, até que uma jovem aparece falando de um nome que ela não ouvia há tempos – e a lança em uma missão atrás da verdade.
Link: https://mega.nz/#F!Dt8HQICC!HAyGbVEzbbEsQ0NqSLa2pg
submitted by wolfsuper to Biblioteca [link] [comments]


2019.12.09 22:23 nunomvp Kristin Hannah - O Rouxinol (EPUB)

[ Removed by reddit in response to a copyright notice. ]
submitted by nunomvp to Biblioteca [link] [comments]


2019.11.14 23:41 livrosetal Mulheres sem Nome, de Martha Hall Kelly

Sinopse:
Inspirado nas memórias verídicas de uma heroína da Segunda Guerra Mundial, este romance conta-nos uma história de amor, redenção e de segredos que estavam escondidos há décadas. Vivendo na alta sociedade de Nova Iorque, Caroline Ferriday não tem mãos a medir com o seu cargo no consulado francês e um novo amor no horizonte.
Mas o seu mundo muda para sempre quando o exercito de Hitler invade a Polónia em setembro de 1939 - e começa a ameaçar a França. No outro lado do oceano, Kasia Kuzmerick, uma adolescente polaca envolvida no movimento clandestino da resistência, pressente que a sua vida de adolescente despreocupada está a chegar ao fim. Num ambiente tenso e alerta, com vizinhos desconfiados, um passo em falso pode ter consequências terríveis.
Para a jovem médica alemã, Herta Oberheuser, um anúncio governamental parece-lhe a melhor oportunidade para construir a sua carreira e deixar a sua vida destruída para trás. No entanto, assim que é contratada dá por si aprisionada num universo de homens, dominado por segredos e pelo poder nazi.
As vidas destas três mulheres entram em colisão quando o impensável acontece e Kasia é enviada para Ravensbrück, o conhecido campo de concentração nazi para mulheres. As suas histórias atravessam continentes - de Nova Iorque para Paris, Alemanha e Polónia - enquanto Caroline e Kasia lutam para trazer justiça àqueles que foram esquecidos pela História.
Epub retail
submitted by livrosetal to Biblioteca [link] [comments]


2019.11.06 06:33 bicto O que é o liberalismo?


O que é o liberalismo?
O que é o liberalismo? Em que medida é possível encontrar características constantes num movimento de ideias e de iniciativas práticas que se desenvolve no curso de três séculos e frequentemente apresenta, na mesma época, tendências bastante diversas?
Merquior se propõe essa questão inicial e lhe dá uma resposta afirmativa. O liberalismo não é uma expressão oca mas, dentro de suas variações de época e de escolas, mantém-se, embora em proporções diferenciadas, fiel à sustentação de quatro liberdades fundamentais. São elas: (1) liberdade (negativa) de não sofrer interferências arbitrárias; (2) liberdade (positiva) de participar nos assuntos públicos; (3) liberdade (interior) de consciência e crenças e (4) liberdade (pessoal) para o autodesenvolvimento de cada indivíduo.Essas quatro liberdades constarão sempre, ainda que em doses diferentes e, algumas vezes, de forma mais implícita do que explícita, do elenco histórico do pensamento liberal. Este, visto no seu conjunto, do século XVIII aos nossos dias, apresenta diferenciações, basicamente em função das características de cada época, no que diz respeito à maior ou menor ênfase dada a cada uma dessas quatro liberdades e no que se refere ao relacionamento entre o indivíduo, a sociedade e o Estado. Por outro lado, o pensamento liberal, também contemplado no seu conjunto, reflete as tendências predominantes nas culturas nacionais em que se desenvolve.
No que tange ao desenvolvimento histórico do liberalismo, Merquior identifica, inicialmente, um protoliberalismo, que mergulha suas raízes mais remotas na defesa medieval dos direitos e no humanismo do Renascimento.Poderia ter se referido à emergência da liberdade interior, com Sócrates e Platão, e dos direitos universais do homem, com os estoicos. Em seguida, Merquior diferencia seis principais correntes no liberalismo: o liberalismo clássico, o conservador, o novo liberalismo, o neoliberalismo, o neocontratualismo e o liberalismo sociológico.
No que concerne às escolas do pensamento liberal, influenciadas pelas características das principais culturas nacionais em que se desenvolveu, Merquior distingue três linhas. A escola inglesa, de Hobbes e Locke a Bentham e Mill, para a qual a liberdade é principalmente a independência pessoal. A escola francesa, a partir de Rousseau, para a qual a liberdade é, fundamentalmente, autogoverno. E a escola alemã que, com base em Humboldt, encontra a essência da liberdade na autorrealização pessoal.
Raízes do liberalismo
Em última análise, segundo Merquior, o cristianismo, de um modo geral e, particularmente, a Reforma e a Revolução Francesa, constituem os fundamentos a partir dos quais se desenvolve o liberalismo.
As raízes mais remotas do liberalismo podem ser encontradas no pensamento medieval, com Marcilio de Padua (1275-1343) e seu Defensor Pacis (1324) introduzindo o requisito de consentimento dos governados, para a legitimidade dos governos. Ockham (1300-1349), Francisco Suárez (1548-1617), Hugo Grotius (1583-1645) e Johann Althusius (m. 1638) são importantes precursores de muitos dos aspectos do liberalismo. Modernamente, deve-se a John Locke, com seu Second Treatise on Government (1659) a implantação das bases do pensamento liberal.
Merquior reconhece, entre os antecedentes remotos, a influência do conciliarismo eclesiástico na configuração do pensamento constitucionalista. Faltou-lhe referir, como precedentemente mencionado, o legado grego em matéria de liberdade interior, um dos fundamentos do pensamento liberal e, por outro lado, o mesmo legado grego na construção da democracia, como regime político. Haveria que acrescentar a relevante contribuição dos estoicos, precedendo o cristianismo no entendimento da dignidade universal do homem, independentemente de sua cidadania e condição social.
Sem embargo de suas raízes remotas, o liberalismo, como movimento de ideias e de práticas societais, procede da Ilustração. Esta, em última análise, levantou a problemática fundamental da relação homem-sociedade-Estado, que é, por um lado, a exigência da liberdade, tanto negativa, no sentido de não coerção, quanto positiva, no sentido da participação pública. Por outro lado, a exigência da racionalidade pública, opondo-se às modalidades populistas e clientelistas da democracia. O século XVIII oscilou, por isso, entre os direitos públicos da cidadania, enfatizados pela Revolução Francesa, e as exigências de racionalidade pública, enfatizadas pelo chamado “despotismo esclarecido” – de Frederico, o Grande ou do Marquês de Pombal – que, não tendo sido efetivamente despótico, mereceria a denominação de autoritarismo esclarecido.
Liberalismo clássico – 1780-1860
O liberalismo clássico é uma reflexão sobre as condições de formação e de legitimidade do Estado e uma defesa das liberdades negativa e positiva, ante o governo e no âmbito do Estado. Hobbes sustenta que a preservação da incolumidade das pessoas e de seus direitos básicos conduz à delegação de todo o poder ao príncipe, como administrador desses valores. Locke contrapõe, no contrato social básico, a exigência do consentimento dos governados, como condição de legitimidade do poder.
Os whigs, primeiro partido organizado de tendência liberal, incorporam as exigências de consentimento, de Locke, moderando-as com algo de Hobbes, na preservação da autoridade do príncipe.
O liberalismo clássico produzirá um brilhante elenco de pensadores: Benjamin Constant e Alexis de Tocqueville, na França; John Stuart Mill, na Inglaterra; Giuseppe Mazzini, na Itália; Alexander Herzen, na Rússia. Locke, moderadamente influente na Glorious Revolution, será decisivamente influente na formação do pensamento liberal da Independência americana.

Liberalismo conservador
Os excessos da Revolução Francesa, quer no populismo de Marat e Danton, quer no jacobismo de Robespierre e do Terror, culminando no imperialismo autoritário de Napoleão, levam o pensamento liberal de fins do século XVIII e primeira metade do XIX a uma reação conservadora. É preciso proteger a sociedade das oscilações entre um populismo irresponsável e um dogmatismo repressivo. Edmund Burke (1729-1797), com sua crítica da Revolução Francesa dá o tom do liberalismo conservador. Será seguido, na Inglaterra, por Thomas Macaulay (1800-1859), John Dalberg, barão Acton (1834-1902), Walter Bagehot (1826-1877), o grande editor do Economist desde 1861 até seu falecimento, e pelo evolucionismo social-darwinista de Herbert Spencer (1820-1903). Na França, o liberalismo conservador será introduzido por François-René de Chateaubriand (1768-1848). O liberalismo francês de tendência conservadora distinguirá, na grande revolução, seu momento positivo, 1789, do negativo, 1793. Com variantes vinculadas às vicissitudes políticas da França, são inseríveis na categoria do liberalismo conservador personalidades como Michelet (1798-1874), que apoiará o Segundo Império, Rémusat (1797-1875), que apoiará Thiers, mas manterá sua preferência por uma monarquia constitucional, Edgard Quinet (1803-1875), que sustentará um liberalismo sem reivindicações de classe, e Ernest Renan (1823-1892), que defenderá um liberalismo não democrático.
O quarto capítulo de O Liberalismo – Antigo e Moderno, que aborda o liberalismo conservador, inclui uma seção tratando de uma particular vertente desse liberalismo, sob a denominação de liberalismo de construção nacional, analisando a obra e as atividades públicas de dois eminentes pensadores argentinos: Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888) e Juan Bautista Alberdi (1810-1884).
Sarmiento, herdeiro das preocupações da Ilustração, no tocante à compatibilização entre as liberdades negativas e positivas do cidadão e o imperativo de racionalidade pública, mostra como a condição dessa compatibilização é a universalização da educação popular, através da escola pública. Em seu clássico, Facundo, Civilización y Barbarie (1845) coloca-se decisivamente a favor daquela, contra o caudilhismo rural. Alberdi se defronta com uma Argentina invadida por imensas ondas migratórias e se preocupa em salvaguardar a nacionalidade, denegando direitos políticos aos imigrantes. Natalio Botana, citado por Merquior, define Alberdi como o Edmund Burke da imigração europeia. Sua proposta é a de uma modernização conservadora, que favorece a industrialização e o progresso, em condições que protejam a república da irracionalidade das massas e da desnacionalização dos imigrantes.
Constitui uma valiosa inovação, por parte de Merquior, ter superado o preconceito de restringir a discussão das grandes ideias públicas, ao universo euro-norte-americano, introduzindo, em sua grande obra, uma fina análise de Sarmiento e Alberdi. É de lamentar-se, por outro lado, que essa lúcida e despreconceituosa abertura não tenha incluído referências fundamentais ao liberalismo mexicano, com Benito Juárez e o liberalismo conservador-progressista de Porfirio Díaz, não tenha contemplado o liberalismo brasileiro, de Antonio Carlos de Andrade a Ruy Barbosa, nem o pensamento e a atuação chilenos, no extraordinário esforço de nation-building de Diego Portales.
O estudo do liberalismo conservador de Merquior se encerra com uma análise do pensamento alemão, vinculado à ideia do Rechtsstaat, incluindo uma penetrante discussão de Max Weber. A essa análise se seguem outras duas, abordando o pensamento de Benedetto Croce na Itália e de José Ortega y Gasset, na Espanha.
O pensamento alemão é pautado por duas grandes linhas; o conceito de Wilhelm von Humboldt sobre os limites do Estado, visto como “guarda noturno” das liberdades cívicas e o conceito de Kant sobre a autocultivação, como supremo objetivo da pessoa, requerendo apropriada tutela do Estado.
Avulta, nesse pensamento, a figura de Max Weber (1864-1920), que combina, admiravelmente, a tradição historicista germânica com as exigências, tingidas de positivismo, de uma sociologia científica. Dentro dessa perspectiva, Weber se dá conta de que o processo de modernização consiste numa expansão da racionalidade instrumental, cujo agente social é a burocracia. As sociedades modernas se defrontam, assim, com um duplo perigo: o despotismo burocrático e, na contestação a este, o do autoritarismo carismático. Para superar esse duplo risco Weber enfatiza a necessidade do parlamentarismo como forma democrático-racional de seleção de lideranças políticas.
Benedetto Croce (1866-1952) é outra figura eminente analisada por Merquior. Croce, a partir de um profundo historicismo (que resgata a figura de Giambattista Vico) sustenta um liberalismo como exigência moral, em oposição ao liberalismo econômico do utilitarismo. A grande contribuição de Croce foi a identificação, no processo histórico, de um crescimento cumulativo, embora não linear nem ininterrupto, da liberdade. Esse compromisso com a liberdade, como exigência moral, mas também como tendência evolutiva da história, levou Croce a uma consistente posição antifascista.
A análise do pensamento de Ortega (1883-1955) encerra a discussão, por Merquior, das grandes personalidades do liberalismo conservador. Ortega se defronta com exigências contraditórias. Por um lado, seu profundo liberalismo, como decorrência necessária de seu abrangente humanismo. Por outro lado, sua crítica ao homem-massa, não entendido como membro do proletariado, mas
como um tipo psicocultural, que se encontra em todas as classes sociais, consistente no homem sem ideais superiores, que se esgota na busca do bem-estar.
O liberalismo de Ortega o leva a apoiar os esforços iniciais da República e a se opor, concomitantemente, ao franquismo e ao comunismo. O elitismo psicocultural de Ortega o conduz, a meu ver, a uma modalidade própria de liberalismo conservador, que se poderia definir como uma sustentação universal das liberdades negativas e uma abordagem seletivamente meritocrática para as liberdades positivas. Escapou à análise merquioriana esse aspecto do pensamento de Ortega, que me parece extremamente relevante.
Concluindo sua magistral discussão do liberalismo de seu momento clássico ao conservador, Merquior diferencia, no processo, cinco principais expressões: (1) os direitos naturais, com Locke e Paine; (2) o humanismo cívico, de Jefferson e Mazzini; (3) o das etapas históricas, com Smith e Constant; (4) o utilitarismo, com Bentham e Mill; (5) o sociologismo histórico, com Tocqueville.
O liberalismo é um processo que parte do whiguismo, como mera demanda de liberdade religiosa e governo constitucional, para atingir a democracia. Os excessos desta preocupam os liberais conservadores, que querem moderar a democracia e se constituem em neo-whigs.
Daí resultam em três modalidades de liberalismo: (1) o idioma burkeano, de Macauley, Maine, Alberdi, Renan, Acton; (2) a linguagem darwinista, de Spencer; (3) o historicismo, com suas implicações elitistas, de Weber e de Ortega.

O novo liberalismo
Albert Dicey, citado por Merquior, observa que o reformismo legal, na Inglaterra, teve duas fases no século XIX. A primeira, de 1825 a 1870, encaminhou-se para defender e expandir a independência individual. A segunda, de 1870 em diante, teve por objetivo a justiça social.
O novo liberalismo, do fim do século passado em diante, teve um forte cunho social, tornando-se um social-liberalismo. A grande figura britânica, nessa linha de pensamento, foi Thomas Hill Green (1836-1882). A partir de um hegelianismo kantiano, Green sustenta a necessidade de, mantendo-se o princípio da liberdade, liberdade de qualquer coerção, encaminhar-se para a liberdade positiva, para assegurar a todos os homens a plenitude de seu autodesenvolvimento – a Bildung dos alemães. O objetivo da ação pública deve ser o da melhoria social. Isto significa agregar, à defesa dos direitos individuais, a exigência de igualdade de oportunidades e de uma ética comunitária. John Hobson (1854-1940) e Leonard Hobhouse (1864-1929) prosseguem na linha de Green. Hobhouse insiste na exigência de liberdade positiva. Hobson se tornará famoso com seu Imperialism, de 1902, atribuindo este à excessiva acumulação de riquezas e poupança, que passam a exigir a conquista coercitiva de novos mercados.
As ideias de Green foram mantidas e postas em prática por William Beveridge (1879-1963). A partir do Reform Club, em 1942, Beveridge elabora os “Estatutos Originários” do estado de bem-estar social britânico.O liberalismo social assumiu, na França, a forma do republicanismo. O que estava em jogo era a reconstrução das instituições depois da derrocada do Segundo Império, sem incidir no populismo da Comuna, nem no retorno ao monarquismo conservador. As ideias básicas do movimento são lançadas por Claude Nicolet em L’idée Républicaine en France, de 1870. O liberalismo social, na França, se subdivide em diversas modalidades: neogirondinos, com Quinet; neodantonistas, com Michelet e Victor Hugo; republicanos positivistas, com Jules Ferry e Gambetta, e republicanos espiritualistas, com Charles Renouvier.
O liberalismo social, na França, tomou a defesa de Dreyfus. Seus expoentes mais recentes foram Émile Durkheim (1858-1917) e Leon Duguit (1859-1925). A expressão final dessa tendência adquire, com Alain (Émile Chartier, 1868-1951) um sentido super-individualista, beirando o anarquismo. Alain será extremamente influente na formação do pensamento de Sartre, de Simone Weil e de Raymond Aron. Essa tendência, com coloração mais social, será mantida por
Albert Camus (1913-1960) em seus romances. O liberalismo social tem importantes defensores, na Itália, com Piero Gobetti (1901-1926), antifascista, numa posição de social-liberalismo idealista, baseado nas massas e Cario Roselli (1899-1937), que busca um socialismo democrático, liberado do marxismo. Na Espanha, com Salvador de Madariaga (1886-1978), dentro de uma visão organicista da democracia.
Na Alemanha, o liberalismo social se identifica com o apoio à República de Weimar. Seu mais eminente expoente será Hans Kelsen (1881-1973). Em seu trabalho de 1920 Sobre a Essência e o Valor da Democracia, o eminente jurista sustenta que a essência desta consiste na autonomia da geração da norma, em condições de pluralismo político.
Os Estados Unidos dão uma relevante contribuição ao liberalismo social com Woodrow Wilson (1856-1924) e seu programa da “New Freedom” e John Dewey (1859-1952), com sua ênfase sobre a educação.
Mais recentemente, os britânicos dão nova importante contribuição ao socialliberalismo, com Keynes (1883-1945) e o romancista George Orwell (1903-1950). Karl Popper, de tendência conservadora e perspectiva neopositivista, desenvolve, em termos antiestatistas, uma preocupação com a superação da miséria. Seu famoso dito: “minimizem a miséria, em vez de tentar maximizar a felicidade”. Dentro dessa linha, destaca-se a importância intelectual de Sir Isaiah Berlin, cujo Two Concepts of Liberty, de 1958, diferenciando a liberdade negativa da positiva, salienta o imperativo de perseguir objetivos racionais, evitando todas as formas de autoritarismo.
Neoliberalismo
Enquanto o que Merquior designa de “New Liberalism” se caracteriza pela impregnação da preocupação social no pensamento liberal, o neoliberalismo toma sentido oposto, constituindo uma dura crítica do paternalismo estatal. Von Mises (1881-1933) com seu libelo Socialismo, de 1922, denunciando os abusos da regulação social, Von Hayek (1899-1992) sustentando um liberalismo de mercado, em condições de governo mínimo, juntamente com Milton Friedman (1912-2006) e sua irrestrita defesa do mercado, marcam a linha extremamente conservadora do neoliberalismo.
O neoliberalismo retoma a temática individualista do liberalismo clássico, dentro da postura do liberalismo conservador de Burke, Macauley e Bagehot. E conhecida a grande influência exercida por essa linha de pensamento na política contemporânea, a partir de Thatcher, na Grã-Bretanha, e de Reagan, nos Estados Unidos, irradiando-se para o restante do mundo, notadamente em muitos países do Terceiro Mundo. O fato de governos economicamente neoliberais, ainda que frequentemente fundados num autoritarismo político, terem conquistado, no Sudeste Asiático e em países latino-americanos, como o Chile de Pinochet (numa orientação continuada pelo governo democrático de Patricio Aylwin) e o México, importantes êxitos econômicos, conferiu à ideologia neoliberal uma grande audiência.
Merquior analisa, com muita competência, as principais personalidades do pensamento neoliberal. É de lastimar-se que não tenha introduzido as necessárias qualificações, no tocante à diferenciação que importa fazer, entre a comprovada validade de uma economia de mercado, dinamizada pela empresa privada, como condição de boa alocação e gestão de recursos, dos aspectos puramente ideológicos do neoliberalismo, demonizando o Estado e, por conta de sua desmontagem, instaurando a lei da selva em sociedades cuja estabilização se devera aos sadios efeitos do Welfare State.
Liberalismo sociológico
O quinto e último capítulo do livro de Merquior contém duas seções finais. Uma tratando do que se poderia denominar de “liberalismo sociológico”, que consiste, fundamentalmente, numa análise crítica do pensamento de Raymond Aron e de Ralf Dahrendorf. A outra, abordando o neocontratualismo de Rawls, Nozick e Bobbio.
Em sentido estrito, não se pode falar de liberalismo sociológico em relação a Aron e a Dahrendorf. Tal denominação só teria sentido aplicada ao liberalismo de Spencer e de Durkheim. Aquele, por seu determinismo evolucionista. Este, por seu determinismo social. Aron e Dahrendorf são eminentes sociólogos e convictos liberais. Em ambos o liberalismo não decorre de postulados sociológicos ainda que, certamente, a condição de competentes sociólogos os leve a superar os aspectos meramente ideológicos de várias modalidades de liberalismo, tanto de esquerda quanto de direita.
Aron (1905-1983), tão multifacético como Merquior – que sobre este emitiu a famosa frase “ce garçon a tout lu” – sustenta um liberalismo moderadamente conservador, na relação indivíduo-sociedade-Estado, enfatizando as liberdades negativas e a relevância do mercado. Por outro lado, tem consciência da necessidade de uma prudente regulação, pelo Estado, das relações econômicas (medidas anticíclicas) e sociais (igualdade de oportunidades e proteção de setores carentes). Sua militante denúncia das falácias do comunismo e dos populismos de esquerda lhe valeram, durante largo anos, a hostilidade da maioria dos membros da intelligentzia. Sua extraordinária honestidade intelectual, sua enorme competência e excepcional lucidez acabaram lhe conquistando a admiração geral de todos os intelectuais sérios, ainda antes de o colapso do comunismo no Leste Europeu e na União Soviética confirmar, historicamente, a procedência de suas críticas.
A análise de Aron, por Merquior, se concentra, sobretudo, na sua obra histórico-sociológica e menos nas suas concepções a respeito do liberalismo, estas predominantemente veiculadas através de sua ampla contribuição ao jornalismo. Ralf Dahrendorf (1929-2009) compartilha, com Aron, a análise da sociedade industrial contemporânea e estuda os conflitos que lhe são próprios.
Particularmente importante, a esse respeito, é seu livro The Modern Social Conflict (1988). Mostra Dahrendorf como, na contemporânea sociedade industrial (tornando-se pós-industrial), os conflitos de classe, ao estilo do século XIX, foram superados por outro tipo de conflito. As diferenciações de classe ficaram extremamente reduzidas pela universalização da educação e de um estilo de classe média para, praticamente, toda a população. Formou-se, assim, um amplo estrato de assalariados, tanto de blue como de white collars. O próprio empresariado, sem embargo de seus proventos e poder decisório, decorrentes do capital, participa desse estrato como executivo das empresas. O novo conflito social, nas sociedades contemporâneas avançadas, é o conflito entre “provisões” e “titularidades”. A legislação social e os acordos sindicais conferem “titularidades”, independentemente de específicas “provisões” para atendê-las, ocasionando, assim, frequentemente, conflitos entre direitos adquiridos e meios para dar-lhes atendimento. Os atuais debates no Brasil, em torno das aposentadorias, são uma boa ilustração desta questão. Esse tipo de conflito suscita dois movimentos sociopolíticos opostos. De um lado, a classe majoritária (o amplo assalariado), com as demandas de suas titularidades. De outro lado, os “thatcheritas”, ciosos da proteção das provisões disponíveis, impondo disciplina às titularidades.
Nesse quadro, Dahrendorf, como Aron, preconizam um liberalismo radical, que assegure um sadio equilíbrio entre provisões e titularidades.

Os neocontratualistas
John Rawls (1921-2002) conquistou fama tardiamente, com seu livro ATheory of Justice (1971). Retomando a tese do contrato social, Rawls assinala que o que está realmente em jogo não é tanto a questão da legitimidade do poder, de que se ocupavam os utilitaristas, mas as regras de justiça. O contrato social de Rawls é expressamente hipotético. Trata-se de saber o que pessoas racionais contratariam se, ignorando os recursos de cada qual e o lugar que lhes fosse dado ocupar na sociedade, tivessem de estabelecer as regras de justiça. Segundo Rawls, tal situação conduziria à adoção de dois princípios: (1) cada qual deve ter igual direito ao máximo de liberdade compatível com a liberdade dos demais; (2) desigualdades sociais podem ser admitidas, sempre que beneficiem os menos favorecidos membros da sociedade. Tais posições conduzem Rawls a um social-liberalismo.
Robert Nozick (1938-2002), em seu Anarchy, State and Utopia (1974) adota posições divergentes, sustentando, também a partir de premissas neocontratualistas, a necessidade de minimização do Estado, que o inserem na linha do neoliberalismo.
Norberto Bobbio (1909-2004), uma das maiores figuras intelectuais de nosso tempo, se preocupa com o futuro da democracia e com o tipo de boa sociedade e de bom governo realisticamente realizáveis. Seu livro Estado, Governo e Sociedade (1955) é, possivelmente, o melhor compêndio contemporâneo de teoria política.
Segundo Bobbio o bom Estado deve apresentar cinco características básicas: (1) inserir-se num contexto poliárquico; (2) conter limitações de poder; (3) assegurar aos cidadãos participação na adoção de normas; (4) dispor de procedimentos democráticos para a eleição dos líderes e (5) respeitar os direitos civis e cívicos. Como Rawls, Bobbio é um social-liberal e um democrata liberal.

Esse texto é um apêndice escrito por Hélio Jaguaribe no livro O Liberalismo: Antigo e Moderno, de José Guilherme Merquior, publicado pela editora É Realizações em 2014.
submitted by bicto to brasil [link] [comments]


2019.11.01 15:47 bildBuch Mil Sóis Resplandecentes - Khaled Hosseini


https://preview.redd.it/opj4lwa183w31.png?width=502&format=png&auto=webp&s=5c8cbef3d96426eebb334f7cb3eef962932a24b4
SINOPSE
Há livros que se enquadram na categoria de verdadeiros fenómenos literários, livros que caem na preferência do público e que são votados ao sucesso ainda antes da sua publicação. Há já algum tempo que se ouvia falar de Mil Sóis Resplandecentes, do afegão Khaled Hosseini, depois da sua fulgurante estreia com O Menino de Cabul, traduzido em trinta países e agora com adaptação cinematográfica em Portugal. A verdade é que assim que as primeiras cópias de Mil Sóis Resplandecentes foram colocadas à venda, o romance liderou o primeiro lugar nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Holanda, Itália, Noruega, Nova-Zelândia e África do Sul, estando igualmente muito bem classificado no Brasil e em França. A própria Amazon americana afirmou que há muito tempo não tinha visto um entusiasmo tão grande a propósito de um livro. Devido ao elevado número de encomendas, nos Estados Unidos, foram realizadas cinco reedições ainda antes do livro chegar às livrarias e na primeira semana após a publicação, já tinham sido registadas um milhão de cópias em circulação. É pois um caso verdadeiramente arrebatador que combina preferências populares potenciadas pelo efeito de passa-palavra às melhores críticas internacionais. Confirmando o talento de um grande narrador, Mil Sóis Resplandecentes passa em revista os últimos trinta anos no Afeganistão através da comovente história de duas mulheres afegãs casadas com o mesmo homem, unidas pela amizade e pela dor proveniente dos abusos que lhes são infligidos, dentro e fora de casa, em nome do machismo e da violência política vigente durante o regime taliban, mas separadas pela idade e pelas aspirações de vida. Um livro revelador, que aborda as relações humanas e as reforça perante reacções de poder excessivo e impunidade.
CRÍTICAS DE IMPRENSA«Qualquer pessoa cujo coração tenha sido tocado pelo primeiro romance de Khaled Hosseini, O Menino de Cabul, deve estar mais do que satisfeito com este seguimento.»The Guardian
«Mais um triunfo artístico, e sem dúvida um novo bestseller, para este escritor arrojado.»Kirkus Reviews
«Em Mil Sóis Resplandecentes, Hosseini não está apenas mais confiante, como parece também ter-se tornado num escritor com mais talento. Se Hosseini se estreou a escrever sobre os seus compatriotas, foi com a situação precária das mulheres afegãs que provou o seu potencial como romancista.»Times
«Mais que uma descrição poderosa das atrocidades no Afeganistão, trata-se de uma evocação poética das vidas, das esperanças e da resiliência dos seus protagonistas.»Publishers Weekly
«O magnífico segundo romance de Hosseini é um belo e comovente testemunho tanto do sofrimento como da força dos afegãos.»Booklist
«A narrativa enfeitiçante de Hosseini capta os detalhes íntimos da vida num mundo onde é preciso lutar para sobreviver, inserindo com mestria esta história humana no cenário mais amplo de uma História recente.»San Francisco Chronicle
ePub
submitted by bildBuch to Biblioteca [link] [comments]


2019.10.29 15:50 rimbaud17 Bela do Senhor, de ALBERT COHEN

Passado entre Genebra e França, em 1936, numa época em que o antissemitismo alcança na Alemanha o seu auge, Bela do Senhor relata, com lirismo romântico e uma ironia feroz, a relação impetuosa entre Solal, judeu, alto funcionário da Sociedade das Nações, e Ariane, aristocrata protestante casada com um seu subordinado, desde o primeiro encontro até à agonia final, passando pela conquista, a paixão e a implacável degradação dos sentimentos. Em pano de fundo, um universo ambivalente e estruturado por antagonismos: a gente comum e os novos-ricos, os dominados e os dominantes, a aristocracia e a burguesia, os judeus e os protestantes, o sexismo e a imagem sagrada da mulher.
História de amor absoluto, Bela do Senhor, publicado em 1968 e galardoado com o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, é considerado o livro de culto de Albert Cohen, clássico insuperável e intemporal, trazido agora a uma nova geração de leitores.

https://mega.nz/#F!dKR0gIoS!zrgUXmzXT28gJe-7DNpuMw
submitted by rimbaud17 to Biblioteca [link] [comments]


2019.09.29 03:03 FelixJr10 Será que vamos ficar juntos ainda?

Uma menina que morava na minha cidade demonstrou interesse em mim no ano de 2016. Nós ficamos algumas vezes, mas ela foi embora pra outra cidade por causa da faculdade e ficamos afastados (consequentemente paramos de ficar). Ela conseguiu um intercâmbio e foi para a França (mt orgulho dela). Em algumas ocasiões a gente conversava, às vezes ela respondia alguns status meu, e vice-versa. Até que, no ano passado a gente estava prolongando bem o assunto e do nada ela disse que tinha que me ligar pra contar algo no qual eu ia matar ela kkkkkk. Eu saí do trabalho e esperei a ligação dela, ela meio que tímida pq foi a primeira vez que teve essa ligação, do nada, DO NADA, ela se declara pra mim, fala que sempre pensou em mim e que gosta muito de mim... pessoal, eu morri de amores, eu sempre tive uma certa paixão por ela. Enfim, começamos um relacionamento à distância, ela a mais 10 mil quilômetros distante de mim, e com previsão de voltar só no final de 2019 (estou relatando o ano de 2018 tá?). Eu fui tirar meu passaporte e juntar o máximo de grana que eu podia, só pra ver ela, só pra poder realizar esse conto de romance, mas como grande maioria do relacionamento à distância é, foi esfriando, apagando, uma certa distância, até que resolvemos dar um tempo... bom, atualmente não nos falamos, demos um tempo de forma amistosa, um respeitou a decisão do outro e seguiu a vida. Ela volta no final desse ano, não sei como vai ficar, não sei o que devo fazer. Eu ainda sinto algo por ela, mas não sei se ela realmente seguiu em frente...
submitted by FelixJr10 to desabafos [link] [comments]


2019.06.26 06:49 altovaliriano Como não foi: Game of Thrones e a Idade Média, Parte I

Texto original: https://bit.ly/2IXUlqM
Autor: @BretDevereaux (autodescrito como "Historiador de História antiga, especializado em economia e vida militar romana")

O número de vezes que fãs entusiastas me disseram que Game of Thrones era superior a outras obras de fantasia porque mostrava que uma sociedade medieval "como realmente era" ou "mais realisticamente" está além da contagem. Às vezes, esse louvor está simplesmente exacerbado em relação ao "passado" como se a experiência humana fosse um binário entre "o agora" (quando as coisas são boas) e "o passado" (quando as coisas eram uniformemente ruins). Arguir que Game of Thrones é mais fiel à "verdadeira" Idade Média é fazer uma afirmação não apenas sobre Game of Thrones, mas também sobre a natureza da Idade Média em si. E essa afirmação merece ser avaliada.
Isso é parte do porque eu optei por olhar principalmente para o show, Game of Thrones e não a série de livros, A Song of Ice and Fire. O show - alcançando muitos milhões de pessoas e sendo muito mais culturalmente difundido - terá um impacto muito maior sobre a percepção pública do passado. Além disso, para ser honesto, a "defesa da historicidade" repetidamente feita para o show parece menos comum do que a defesa dos livros (talvez, em parte, porque os fãs de livros parecem sentir que os livros precisam de menos defesa).
Devemos também definir a Idade Média européia para fins desta comparação. A Idade Média na Europa se estende aproximadamente de 500 dC a 1450 dC, um período de quase 1.000 anos. Compreensivelmente, existe grande diferença entre o que se entendia por guerra e sociedade em 550 e em 1350. Mas os símbolos de Game of Thrones são muito mais específicos: os cavaleiros vestidos com placas, damas refinadas, torneios marciais que evocam a Alta (cerca de 1000-1250 dC) e Baixa (cerca de 1250-1450 dC) Idade Média, então esse é o período com o qual principalmente faremos comparação.
Por fim, antes de mergulharmos, duas advertências finais. Primeiro, isso não é uma crítica à construção do mundo de George R. R. Martin. Não há, afinal de contas, nenhuma razão para que o mundo de fantasia dele precise ser fiel à Idade Média européia (falaremos sobre inspirações históricas conhecidas/possíveis à medida que surgirem). Não creio que Martin tenha planejado elaborar uma dissertação de cultura medieval em forma de romance de fantasia, de modo que ele não pode ser culpado por falhar em fazer o que nunca tentou. Em segundo lugar, essa análise vai se basear mais no show do que dos livros, simplesmente porque o show está completo e é mais fácil discutir uma coisa completa - dito isso, elementos de lore que não entraram no show (mas que ainda são ilustrativos) podem surgir.
Tudo bem? Vamos mergulhar.

Destrutividade

Uma coisa sobre a qual Game of Thrones é muito clara é quão brutalmente destrutivas são as guerras de Westeros. A roda - "e assim gira, esmagando os que estão no chão" (S5E8) - quase acaba totalmente com a sociedade Westerosi. A Guerra dos Cinco Reis interrompe as condições de fornecimento de alimentos a ponto de causar fome e miséria nas Terras da Coroa e tumultos sangrentos em Porto Real (S2E6). A própria Porto Real viria a ser essencialmente destruída durante a captura por Daenerys (S8E5), provavelmente com centenas de milhares de baixas, levando em consideração a escala da destruição e o tamanho conhecido da cidade (porém falarei mais sobre isso depois).
Mas quão destrutiva é essa roda, de verdade? Podemos mensurar em números? Nem o programa nem os livros fornecem uma métrica clara para avaliar as perdas de guerra, mas considerando-se a queima de Porto Real e as repetidas menções a fome, não podem ser inferiores a várias centenas de milhares apenas em vidas civis (e possivelmente muito mais altas se incluirmos mortes da praticamente certa indigência do inverno). A esta conta devem ser acrescidos o Norte e as Terras Fluviais, que experimentaram contínua devastação e ocupação.
E quanto às perdas militares? Os exércitos da Casa Tyrell, Lannister e Baratheon foram todos destruídos em campo - vamos olhar para questões de escala em um instante - mas, por enquanto, se metade de sua força fosse de baixas, poderíamos estimar cerca de 80.000 perdas para essas Casas. As perdas para as Terras Fluviais, o Norte, Dorne, as Terras da Coroa e as Ilhas de Ferro são menos claras, mas poderíamos supor que elas equivalem aproximadamente ao total imaginado. Ao que devem então ser acrescidas as forças de Daenerys, reduzidas pela metade em Winterfell com a perda de cerca de 4.000 Imaculados e 30.000 Dothraki (nos dizem que ela perdeu "metade" de ambos).
Com base em toda essa especulação, poderíamos estimar um número mínimo de perdas nas guerras como sendo de mais de 300.000 civis e cerca de 200.000 combatentes (não incluindo perdas sofridas em Essos). Se a fome generalizada for contabilizada - e quase certamente deveria ser, considerando-se o inverno que se aproxima - o número real seria muito maior, talvez bem mais de um milhão. E deixamos de fora a destruição quase total dos Selvagens, as mortes deixada pelo exército dos mortos enquanto se deslocavam para o sul, e pelos assaltos dos Homens de Ferro. A isso seria preciso acrescentar baixas excedentes por doenças, que são mais graves do que as perdas no campo de batalha - o provável número total de vítimas poderia, assim, facilmente se aproximar de 2.000.000 ou mais.
A guerra em Game of Thrones é, portanto, não apenas endêmica, mas também chocantemente destrutiva. É importante ressaltar que a guerra em Westeros chega ao nível de significância demográfica - essa guerra é suficiente para causar uma diminuição real e perceptível na população total de Westeros (os livros não fornecem nenhuma ferramenta para estimar o tamanho da população de Westeros, mas uma estimativa de 40 milhões é perfeitamente razoável - o que significa que a guerra matou algo entre 2,5% e 5% de toda a população, em apenas alguns anos). Este é um nível de morte que os futuros arqueólogos e historiadores westerosis, escavando aldeias e lendo registros da cidade, serão capazes de identificar através da perda acentuada de população. Guerras tão destrutivas foram raras no período pré-moderno - a maioria das guerras não é "demograficamente visível" a esse ponto, porque as perdas de guerra se perdem no "ruído" dos nascimentos e mortes normais.
Apesar de que a guerra na Idade Média era frequente, geralmente não era destrutiva. Estimar a destrutividade e a escala da morte nas guerras medievais é quase impossível de ser feito com precisão devido à natureza das fontes. Mas algumas comparações podem ser feitas. A estimativa padrão para a perda de vidas devido às Cruzadas é de 1 a 3 milhões, o que significa que a Guerra dos Cinco Reis foi, em três ou quatro anos, aproximadamente tão letal quanto duzentos anos (1091-1291) da guerra religiosa medieval no Oriente Próximo. Alternadamente, acredita-se que a Cruzada Albigense - um esforço na França para suprimir a heresia "cátara" - tenha matado algo entre 200.000 e 800.000 pessoas; o cerne da violência durou vinte anos (1209-1229), mas o número de mortos tipicamente também inclui décadas de expedições da Inquisição que só foram terminadas em 1350, um século e meio após o início da cruzada. É importante notar que essas guerras - que ainda estão longe da escala e da intensidade da guerra em Westeros - foram guerras religiosas, onde as normas que impediam a violência contra civis eram muito mais fracas.
A maioria das guerras não eram guerras religiosas, e estas tendiam a ser significativamente menos destrutivas, especialmente para os camponeses que compunham a grande maioria da população. Em parte, isso se devia simplesmente a bom senso: em uma guerra territorial, o controle sobre o campesinato e sua produção agrícola era o objetivo, então assassinar massivamente o campesinato tinha pouca serventia. As guerras entre Senhores poderiam assim muitas vezes ocorrer "acima das cabeças" do campesinato (embora o perigo invasão ou de ter comida roubada para uso pelos exércitos permanecesse agudo - nós não devemos minimizar o quão difícil essas guerras poderiam ser para as pessoas "no chão").
Outro fator foi um conjunto de normas sociais. Apesar de que a Idade Média tenha sido um período de frequentes (pequenas) guerras, nela também se viu alguns dos primeiros esforços para reduzir a violência em sentido amplo, originados pela Igreja Católica: os movimentos de Paz de Deus e Trégua de Deus. A Paz de Deus (do séc. X-XI) deu proteção religiosa ao campesinato e ao clero (e mulheres e viúvas) enquanto não-combatentes. A Igreja encorajou cavaleiros e senhores a fazer juramentos no sentido de que eles não violariam a paz atacando o campesinato.
Isso não quer dizer que essa proibição sempre era seguida - na prática, parece ter sido em grande cumprida via de exceção. Mas é um claro contraste com a guerra em Westeros, onde atacar a população civil é claramente normal - Tywin não hesita em “colocar as Terras Fluviais em chamas desde o Olho de Deus até o Ramo Vermelho” (S1E10) e nenhum dos seus estandartes questiona a ordem. O esforço de Cersei na 8ª Temporada para impedir o ataque de Daenerys por meio da concentração de civis só é posto em ação porque ela acha que Daenerys é diferente de um senhor normal - os quais provavelmente ignorariam o obstáculo.
Nesse sentido, a guerra em Westeros é menos parecida com a guerra na Idade Média - onde, observada ou não, havia um senso geral de que alguns indivíduos eram "civis" e, portanto, não eram alvos militares válidos - e mais como guerra na Antiguidade. Para os romanos, por exemplo, as guerras eram geralmente contra os povos - os romanos falariam sobre estar em guerra com os cartagineses (todos eles) ou com os celtiberos (todos eles) ou os helvécios (todos eles). A única exceção são as monarquias helenistas do Oriente, que eram as posses pessoais das famílias reais, em vez de grandes grupos étnicos - ali os romanos foram à guerra com monarcas individuais. Mas essa foi a exceção, e não a regra.
Nesse contexto, onde os romanos estão em guerra com todo um povo, todo o povo se tornou alvos militares válidos. E os romanos se comportavam como tal. Políbio descreve o processo romano para saquear uma cidade - “Quando Cipião pensou que um número suficiente de tropas tinha entrado [na cidade] ele enviou a maioria deles, segundo o costume romano, contra os habitantes da cidade com o fim de matar todos que eles encontrassem, poupando nenhum, e começassem a pilhagem até que o sinal fosse dado ... muitas vezes pode-se ver não apenas os cadáveres dos seres humanos, mas os cães cortados ao meio e os membros desmembrados de outros animais ... ” (Políbio 10.15.4-5; grifei). Tal massacre não era visto como fora das regras da guerra, mas sim uma consequência normal de tentar resistir a um exército sitiante. Uma cidade que quisesse evitar o massacre deveria se render antes que o cerco começasse pra valer (o último momento para se render, sob as regras romanas de guerra, era antes que o primeiro aríete tocasse a muralha da cidade).
É verdade que, em certas ocasiões, o mesmo tipo de matança indiscriminada ocorreu na Idade Média, quase sempre no contexto de guerras religiosas (onde, por que os inimigos eram hereges ou infiéis, as restrições religiosas à violência não se impunham), mas mesmo isso é tipicamente apresentado pelas fontes como incomum e chocante. A captura de Jerusalém durante a Primeira Cruzada (1099) é o exemplo típico de acentuada brutalidade medieval - os cruzados massacraram grande parte da população da cidade em uma terrível onda de derramamento de sangue.
Raymond d'Aguliers, uma testemunha ocular, diz assim do massacre: "se eu disser a verdade, excederá seu poder de crença" (transcrição de A. C. Krey, The First Crusade: The Accounts of Eye-Witnesses apud Edward Peters, The First Crusade: The Chronicle of Fulcher of Chartes and Other Source Materials) - ainda que tal massacre tivesse sido normal e indigno de nota no mundo romano - e, aparentemente, em Westeros. O que era excepcional em 1099 dC era normal em 199 aC - ou em Porto Real.
É claro, há outra razão pela qual as guerras medievais tendiam a ser muito menos destrutivas - os governantes medievais simplesmente não tinham a capacidade - na administração, infraestrutura e recursos - para causar tantos danos. O que nos leva a:

Escala na Guerra

A guerra na Europa medieval era geralmente um assunto relativamente pequeno. Enquanto muita atenção é dada às guerras entre os reis - a Guerra dos Cem Anos, a Guerra das Rosas, etc. - a grande maioria dos conflitos era pequeno, entre senhores regionais com propriedades limitadas. Esse tipo de guerra envolvia muitas vezes "exércitos" de apenas dezenas ou centenas de homens. No passado, tive alunos que liam trechos das muitas queixas de Hugh V de Lusignan (que datam de 1028). Hugh está perpetuamente em conflito militar com seus vizinhos, mas a escala de tais conflitos é pequena - ele leva apenas 43 cavaleiros para tentar ganhar um castelo e algumas terras, por exemplo (o que ainda era uma força grande o suficiente que o seu Senhor, o conde de Aquitânia, estivesse ciente de que ele a tivesse levado e ordena que ele retorne à corte). O mesmo tipo de guerra de pequena escala povoa as "canções de gesta" (francês: Chasons de Geste), como o de Raoul de Cambrai, onde Raoul passa o poema tentando recuperar o feudo de Vermandois (a canção de gesta de Raoul também se relaciona com o ponto anterior sobre normas de guerra: Raoul quebra a Paz de Deus atacando um convento, que faz com que seu melhor cavaleiro, Bernier, se posicione contra ele; Bernier então mata Raoul em batalha, levando a uma briga de sangue entre as famílias. Note como a transgressão da proteção religiosa devida aos não-combatentes leva à morte dos protagonistas e uma fissura permanente na comunidade - a moral é clara: não ataque os não-combatentes).
Em comparação, os exércitos de Westeros são enormes. Acreditando-se na Wiki of Ice and Fire, podemos estimar os exércitos de campanha - não incluindo guarnições e outras forças pequenas - de cada um dos principais atores como sendo de aproximadamente:

O Norte: 20-30.000 (mas lento para reunir; poder nocional 45.000)
Ilhas de Ferro: 20.000
Terras Fluviais: cerca de 20.000 (poder nocional 45.000, mas politicamente dividido)
Vale de Arryn: Aproximadamente igual ao Norte ou Dorne (cerca de 45.000, no nocional)
Terras Ocidentais: 35.000 no campo durante guerra (nocional: 55.000)
Terras da Coroa: 10.000 a 15.000
Terras de Tempestade: cerca de 30.000
Campina: 80.000-100.000 partiram com Renly (!!)
Dorne: estima-se que cerca de 50.000 estariam à disposição dos Martells

Em comparação, o exército francês em Azincourt (1415) não era maior do que talvez 35.000 homens (alguns historiadores argumentam que era significativamente menor), mas sua derrota foi suficiente para aleijar a França (sugerindo que o exército representava a maior parte das forças de campanha à disposição do rei da França na época). A força de campanha inglesa era menor - apenas cerca de 9.000. Azincourt não era uma pequena escaramuça: eram exércitos reais que representavam o melhor que seus reis podiam fazer (Henrique V, rei da Inglaterra, estava com seu exército, de fato). Nem esses tamanhos típicos eram restritos à Inglaterra e à França. A Batalha de Nicópolis (1396) foi entre os otomanos de um lado e uma grande aliança de poderes cristãos do outro, e provavelmente não envolveu mais do que 40.000 homens de ambos os lados (ou seja, dois exércitos de cerca de 20 mil), apesar do fato de que a batalha estava entre os bem organizados otomanos de um lado e mais de uma dúzia de potências européias do outro.
Em comparação, os exércitos de Westeros são enormes - e os números acima não incluem as várias frotas de centenas de navios que muitos senhores mantêm. Renly Baratheon sozinho tem uma coluna em campo de 100.000 homens; Mace Tyrell depois marcha para Porto Real com 70.000 soldados Tyrell. Em comparação, em 1527 - bem no início do período moderno (onde o tamanho do exército salta acentuadamente) - todo o exército otomano consistia de 18.000 soldados regulares e 90.000 timariots (grupo étnico da Turquia convocados para lutar em campanhas específicas, de modo similar a cavaleiros e seus seguidores). Os otomanos estavam muito melhor organizados do que qualquer poder europeu medieval (daí a exigência de que a oposição à expansão otomana requeresse grandes alianças - veja acima). E todas essas tropas otomanas absolutamente não poderiam ser mantidas em um só lugar, como Renly faz com sua coluna.
Não adianta ressaltar que Westeros cobre uma área enorme, porque isso simplesmente introduz novos problemas: a logística de exércitos tão grandes provavelmente está além da capacidade da maioria dos governantes europeus medievais. Mesmo os romanos - cuja capacidade logística excedia significativamente a do período medieval - raramente reuniram exércitos tão grandes quanto os de Renly ou o de Mace Tyrell e apenas por curtos períodos. Tibério (na condição de general sob o imperador Augusto) reuniu um exército de cerca de 100.000 para lidar com uma revolta em Illyricum (região que atualmente corresponde à Albânia, Bósnia, partes da Croácia e Eslovênia) - o exército foi suficiente para levar a província à fome em um único ano (o que parece ter sido, de fato, o objetivo de Tibério - suprimir a revolta negando suprimentos) e nunca se afastou dos rios (por meio dos quais poderiam chegar suprimento de regiões distantes).
O exército de Mace Tyrell teria que ter marchado pela Estrada da Rosa por cerca de 850 milhas para chegar a Porto Real. Ele provavelmente não se moveu mais rápido do que 10 milhas por dia, então esteve em marcha por 85 dias (decore esse número - nós voltaremos a ele). 80.000 homens, juntamente com animais de carga em um trem de carga bastante enxuto - eram cerca de 20 mil mulas (sim, um trem de bagagem bastante enxuto para um exército deste tamanho!) - consumiriam cerca de 189 toneladas de alimentos por dia. O exército deve ser capaz de carregar cerca de 20 dias com ele (supondo que as mulas estão puxando muitos vagões grandes e lentos) e é grande demais para se abastecer simplesmente pilhando os camponeses locais enquanto ele se move. Isso significa que os Tyrell terão que preparar estoques de alimentos em pontos-chave ao longo de toda a Roseroad. Quanta comida? Supondo que o exército parta de Highgarden totalmente suprido (isso parece improvável), seriam 12.285 toneladas . E isso sem conta a comida dos cavalos.
Nenhum rei medieval tinha acesso a esses tipos de recursos, nem ao tipo de administração que poderia obter quantidades tão grandes de suprimentos. O Império Romano poderia fazer isso - mas exigia o envolvimento de funcionários do Tesouro, magistrados locais e um sistema de suprimento pronto (que era mantido por um grande exército permanente de soldados profissionais). O que leva a:

Montagem de exército, para leigos

Lembra-se daquele número de 85 dias? Voltaremos logo a ele. Em breve. Eu prometo.
A frase que enfio na cabeça dos meus alunos sobre a estrutura dos exércitos medievais é que eles são uma comitiva de comitivas. O que quero dizer com isso é que o modo como um rei medieval forma seus exércitos é que ele tem um bando de aristocratas militares (leia-se: nobres) que lhe devem o serviço militar (eles são seus "vassalos") - sua comitiva. Quando ele vai para a guerra, o rei pede que todos os seus vassalos apareçam. Mas cada um desses vassalos também tem seu próprio bando de aristocratas militares que são seus vassalos - sua comitiva. E isso se repete, até chegar a um cavaleiro individual, que provavelmente tem um punhado de não-nobres como sua comitiva (talvez alguns de seus camponeses, ou talvez ele tenha contratado um ou dois mercenários para segui-lo).
Se você quiser ler uma visão realmente detalhada (e bastante seca) de como isso funcionou, dê uma olhada em The English Aristocracy at War (2008), de David Simpkin; ele vasculhou registros ingleses sobreviventes de cerca de 1272 a 1314 e analisa (entre outras coisas) o tamanho médio das comitivas. A comitiva média encontrada foi de cinco homens, embora senhores importantes (como os condes) pudessem ter centenas de homens em suas comitivas (que, por sua vez, eram compostas pelas comitivas de seus próprios seguidores). Assim, a comitiva do nobre é a comitiva combinado de todos os seus servires, e o exército do rei é o total combinado dos seguidores dos seguidores de todos, se isso fizer sentido. Assim: uma comitiva de comitivas.
Esse é exatamente o sistema segundo o qual o Game of Thrones afirma que seus exércitos funcionam. Os grandes senhores - pessoas como Tywin Lannister - "convocam seus estandartes" e seus bannermen - o termo Westerosi para vassalos (e presumivelmente uma versão direta do que era chamado historicamente de "cavaleiro banneret" \ou cavaleiro-abandeirado])) - a forma mais baixa de aristocrata que teria sua própria bandeira e, portanto, sua própria unidade militar) aparecem com suas próprias comitivas, exatamente como acima. E, à primeira vista, isso parece bastante medieval - foi assim que os exércitos medievais da Alta e da Baixa Idade Média eram formados (principalmente). O problema é que os exércitos em Westeros nunca parecem funcionar dentro das restrições desse sistema .
Primeiro, o óbvio: este sistema, onde os exércitos são montados com base em relacionamentos pessoais e onde as unidades menores são geralmente muito pequenas, simplesmente não têm a capacidade de aumentar de escala para sempre. Há apenas alguns seguidores com que um rei pode manter um relacionamento pessoal - e assim vai fila abaixo.
Em segundo lugar, esses seguidores não "seguiam" servindo para sempre. Eles são obrigados a um certo número de dias de serviço militar por ano. Especificamente, o número padrão - que vem do estabelecido por Guilherme, o Conquistador, para seus vassalos depois de tomar o trono inglês - era de 40 dias. O ponto principal deste sistema é que o rei dá aos seus vassalos a terra e eles lhe dão serviço militar para que ninguém tenha que pagar nada a ninguém, porque os reis medievais não têm a receita requerida para manter exércitos permanentes de longo prazo. Não é por acaso que os conflitos medievais mais destrutivos foram as guerras religiosas em que os guerreiros participantes estavam essencialmente engajados em uma "peregrinação armada" e assim poderiam permanecer no campo por mais tempo (tendo Deus um direito maior ao tempo do cavaleiro do que o rei).
Finalmente, imagine organizar os suprimentos de um exército como este. Cada unidade de comitiva tem um tamanho diferente: Lorde Tarly pode ter algumas centenas de homens, Lorde Risley, algumas dúzias, Lorde Hastwyck apareceu apenas com sua guarda doméstica de cinco e assim por diante (por dezenas e dezenas de comitivas). Você - o intendente do rei - não sabe quão grande são cada um destas comitivas, mas você deve racionar e distribuir comida para que não fique em uma posição onde uma comitiva morra de fome enquanto os outros tenha em excesso. Você também precisa coordenar o trem de bagagem de comida sobrando... mas é claro que a maioria dos vagões e animais de carga pertence a todos os senhores menores com suas pequenas comitivas. Você começa a ver o problema: suprimento centralizado - necessário para manter um grande exército alimentado - é praticamente impossível.
[Se você quiser ler sobre as dificuldades de manter um exército da Idade Moderna (com suprimento e logística um pouco mais centralizados) unido por longas distâncias, pense em ler The Army of Flanders and the Spanish Road , de Geoffrey Parker, e tenha em mente que, em seu apogeu, o exército que ele descreve (com os desafios intransponíveis de pagá-lo e supri-lo) nunca foi maior do que 90.000 homens - menor do que a coluna de Renly Baratheon - e tendia a ser, em média, um pouco menor de 60.000].

Que tipo de exército é esse?

Então, para resumir o que nós cobrimos até agora: a guerra em Westeros não é realmente muito medieval. Enquanto nos dizem que os exércitos estão organizados em linhas medievais, eles são muito grandes e as guerras que eles empreendem são muito mais destrutivas do que o normal para conflitos políticos (leia-se: não-religiosos) da Idade Média. Além disso, eles parecem não ser limitados pelas normas culturais da Idade Média (como a Paz de Deus), ou pelos limites logísticos comuns aos (mal organizados) exércitos medievais.
Há algum tempo na história européia em que esses exércitos se encaixariam melhor?
Acho que a resposta para isso é "sim" - esses exércitos não são medievais, mas da Idade Moderna em seu tamanho, capacidade e destrutividade.
Várias coisas colocam o período moderno à parte da Idade Média, mas o que mais nos interessa aqui é a capacidade do Estado. O que quero dizer com isso é a aptidão do estado (leia-se: o rei) de extrair receita e usar essa receita para fazer coisas (mobilizar forças militares, reformar a sociedade, contratar burocratas para extrair mais receita, etc.). Os reis medievais tinham uma capacidade estatal muito limitada, porque seus próprios nobres - os quais (ver acima) tinham seus próprios exércitos - trabalhavam para limitar o poder do monarca central. Em contraste, o período moderno (cerca de 1450-1789) é de crescente capacidade do Estado, à medida que os monarcas começam a centralizar agressivamente a governança de seu país.
Mudanças na natureza dos exércitos é tanto uma causa quanto um efeito disso. O poder real centralizado permitiu que exércitos maiores, mais padronizados e mais profissionais aumentassem as receitas reais fora do controle da nobreza - que eram, por sua vez, mecanismos eficientes para a supressão da nobreza e, assim, maior centralização de poder (eu deveria anotar: o conhecimento sobre os mecanismos exatos pelos quais isso acontece é volumoso e contestado - esta é apenas uma descrição geral do fenômeno; ch7 de Waging War de Wayne Lee (2016) é na verdade uma introdução bastante acessível ao leigo à história e ao debate se você quiserem).
Como já observei em outro lugar, a linguagem visual usada por Game of Thrones para todos os exércitos de Westeros, exceto para os do norte, é tirada do início do período moderno. Esses exércitos têm equipamento uniforme - supostamente fornecido por arsenais do Estado - e foram treinados e preparados para marchar e lutar em sincronia. Mesmo se dispensarmos a representação visual dos exércitos como erros da parte do show, o fato de esses exércitos poderem permanecer no campo mês após mês implica que pelo menos partes significativas dessas forças são efetivamente profissionais e pagas pelo seu serviço, em vez de terem sido formadas em um sistema de vassalagem.
O tamanho dos exércitos também aponta nessa direção. Embora a trajetória exata do crescimento do exército na início do período moderno seja um tanto contestada, o que não é contestado é que os exércitos no início do período moderno eram substancialmente maiores do que os do final da Idade Média. Dos exércitos medievais nos milhares ou nas primeiras dezenas de milhares, os exércitos das grandes potências da Europa passaram às últimas dezenas de milhares nos anos 1500 e depois ultrapassaram bastante os 100.000 em meados do século XVII. Esses exércitos geralmente não estavam concentrados em um só lugar devido a questões de logística, mas a capacidade destrutiva geral do estado aumentara várias vezes.
Assim, enquanto George RR Martin frequentemente apontava para a Guerra das Rosas (1455-1487 - portanto, ressalto, uma guerra moderna, não medieval) como inspiração histórica para Game of Thrones, a escala do conflito e o tamanho dos exércitos mais claramente evocam as guerras dos séculos XVI e XVII, como a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Como se pode imaginar, exércitos maiores geralmente significam maiores “danos colaterais”, então vamos ver como o período moderno se compara à Idade Média na destrutividade da guerra.
As guerras dos séculos XVI e XVII - especialmente a Guerra dos Trinta Anos - foram chocantemente destrutivas em comparação com o que acontecera antes. Parte da razão para isso foi a natureza dos conflitos: muitas dessas guerras nasceram da Reforma Protestante e foram, portanto, guerras religiosas, colocando protestantes contra os católicos. Nesse tipo de guerra - ao contrário de uma disputa política sobre um trono ou território - a população inimiga se torna alvo de violência por acreditar na coisa "errada". Na Guerra dos Trinta Anos, exércitos católicos destruíram aldeias protestantes e vice-versa, com o objetivo de mudar a composição religiosa da região pela violência.
Mas nem todos os conflitos desse período foram guerras religiosas. Apesar de que as guerras seculares nunca atingiram a carnificina da Guerra dos Trinta Anos, elas ainda eram marcadamente mais destrutivas do que as anteriores. Outra razão para isso foi a melhora dos próprios exércitos - você verá pessoas atribuindo isso à pólvora, mas os mosquetes de tiro lentos não são muito mais destrutivos do que as armas do passado. Mas um exército medieval - como já discutimos - só poderia ter um certo tamanho e só poderia permanecer no campo por um determinado tempo. Mas os novos exércitos permanentes do início do período moderno eram formados por profissionais que podem guerrear o ano todo e eram ainda maiores. Além disso, a Reforma - ao dividir o poder da Igreja - enfraqueceu as próprias normas religiosas que às vezes restringiam a violência (mesmo que fracamente) na Idade Média. A conseqüência foi exércitos mais capazes e mais dispostos a infligir danos à população em geral.
Por fim, o vultoso tamanho desses exércitos também contribuiu para maiores níveis de destrutividade de um modo diferente e inesperado: eles pelejaram contra as limitações derradeiras da logística pré-ferroviária. Enquanto os governos lutavam para pagar, alimentar e equipar esses soldados, os exércitos no campo eram forçados a se abastecerem localmente e a pagar soldados com saque capturado, às custas da população local. Sob essas condições, restringir os soldados famintos de cometer atos de extrema violência para obter comida ou saque tornou-se cada vez mais difícil, beirando o impossível. Os exércitos no campo tornaram-se forças quase elementares de destruição, evoluindo de fazer cerco e batalhar para fazer cerco e destruir a região por qual passassem.
Assim, a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) despovoou grande parte da Alemanha moderna, matando cerca de um quarto de toda a população (mas a carnificina costumava ser muito localizada - algumas áreas estavam efetivamente intocadas, enquanto outras estavam completamente despovoadas). Nos Países Baixos, a Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648) criou uma terra de ninguém despovoada onde os dois lados (os exércitos espanhóis e holandeses) se encontraram em um longo impasse defensivo. Os exércitos espanhóis, tendo ido muito tempo sem pagar, também saquearam Antuérpia (1576) - a sede regional do governo espanhol - para recuperar seus atrasos no pagamento por meio de saques, danificando severamente a economia local por décadas e matando milhares de habitantes.
Esse tipo de guerra - menos limitada, com exércitos maiores, mais destrutivos e mais vorazes - está muito mais perto do que vemos em Game of Thrones . Ironicamente, Joffrey sugere (S1E3) construir um exército de estilo moderno e a idéia foi descartada por Cersei . Algum pode pensar, no entanto - considerando-se que Cersei sabe pouco sobre a guerra e não é tão inteligente quanto ela pensa - se Tywin não já havia começado a usar o ouro Lannister para construir o exército de estilo moderno que ele aparentemente já possui.

Conclusões sobre o Medievalismo Militar

A situação militar em Westeros, portanto, não parece se encaixar muito bem na Idade Média européia. Os exércitos de Westerosi não parecem ser limitados a curtos períodos de serviço militar comum nos exércitos medievais, eles são muito maiores do que os exércitos medievais alguma vez foram e são significativamente mais destrutivos. Além disso - e este é um tópico que retomaremos na próxima vez - eles parecem não restringidos pelos limites sociais e religiosos à violência da Idade Média. Não devemos florear demais ​​- esses limites eram frequentemente mais honrados via de exceção do que observados (e eles não se aplicavam a todos igualmente). No entanto, o aumento acentuado da mortalidade militar no período moderno atesta o fato de que esses limites - os limites organizacionais, juntamente com os culturais - resultaram, de fato, em um nível geral de violência mais baixo.
Parece que quase qualquer discussão sobre a Idade Média começa com “este período foi extremamente violento”. E há alguma verdade nisso - comparado ao mundo moderno, os reis e senhores medievais foram muito à guerra. A guerra era uma parte normal da vida. Mas em comparação com o período moderno inicial ou mesmo com a antiguidade clássica, essas guerras costumavam ser relativamente pequenas e seu impacto era limitado. Em comparação com o período moderno (ou seja, nosso período histórico) - bem, conseguimos matar mais pessoas (num sentido absoluto) em um único espasmo horrível de violência que abalou a terra de 1937 a 1945 (cerca de 85 milhões de pessoas) do que provavelmente morreu em todas as guerras medievais europeias combinadas. Violência é relativa. Comparado com a longa paz do Império Romano (27 aC - c. 235 dC; o próprio império durou até cerca de 450 dC no Ocidente (e 1453 dC no leste), mas seus últimos séculos foram mais violentos), de fato, a Idade Média foi bastante violenta. Mas comparado ao que veio depois, a Idade Média teve mais guerra, porém menos morte (e nós nem sequer discutimos a catástrofe humana que foi a descoberta do novo mundo ...).
Isso significa que Martin "falhou" de alguma forma? Não - de modo algum. Novamente, A Song of Ice and Fire não é uma dissertação de história disfarçada, é um romance de fantasia. Martin construiu uma sociedade com suas próprias regras e sistemas e então seguiu essas regras e sistemas sociais até onde elas levam. Em vez disso, o que quero enfatizar é que - no que diz respeito a assuntos militares - os exércitos de Westeros não são muito parecidos com os exércitos da Idade Média européia, apesar das semelhanças entre cavaleiros, armas e armaduras.
Não obstante, observar a diferença entre a Idade Média e Westeros é importante porque reformula um dos temas centrais do cenário. É reconfortante pensar que a violência descontrolada em Westeros é o produto de algo - uma cultura de cavaleiros guerreiros e violência - que não temos mais. Mas o oposto é verdadeiro: a violência fora de controle, do tipo que Westeros possui, é o produto de algo que ainda temos muito: a tremenda capacidade do Estado administrativo moderno para a violência.
Nossos estados administrativos modernos podem fazer coisas maravilhosas - eles constroem estradas e escolas, fornecem cuidados de saúde (às vezes), podem cuidar dos pobres e regular os locais de trabalho. Mas eles também podem produzir quantidades espetaculares e horripilantes de violência. É essa tarefa - a violência, não as escolas ou as estradas - para as quais eles foram projetados e às quais eles permanecem mais aptos. Nós nos esquecemos disso (fingindo que tal violência pertence apenas à HBO e ao passado distante) por nossa conta e risco.
Na próxima vez, veremos como funcionam as normas culturais e religiosas na sociedade Westerosi. A Idade Média na Europa foi, em muitos aspectos, definida por fortes normas culturais e especialmente religiosas. Quanto se parece com Westeros?
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2019.04.13 16:22 MarleyEngvall Vesuvius has been created

By John Lord, LL. D. THE GREEK AND ROMAN CLASSICS. (iii.) Thus the great historians whom I have mentioned, both Greek and Latin, have few equals and no supe- riors in our own times in those things that are most to be admired. They were not pedants, but men of immense genius and genuine learning, who blended the profoundest principles of moral wisdom with the most fascinating narrative,——men universally popular among learned and unlearned, great artists in style, and masters of the language in which they wrote. Rome can boast of no great historian after Tacitus, who should have belonged to the Ciceronian epoch. Suetonius, born about the year 70 A. D., shortly after Nero's death, was rather a biographer than an histo- rian; nor as a biographer does he take a high rank. His "Lives of the Cæsars," like Diogenes Laertius's "Lives of the Philosophers," are rather anecdotical than historical. L. Anneus Florus, who flourished during the reign of Trajan, has left a series of sketches of the different wars from the days of Rom- ulus to those of Augustus. Frontinus epitomized the large histories of Pompeius. Ammianus Marcellinus wrote a history from Nerva to Valens, and is often quoted by Gibbon. But none wrote who should be adduced as examples of the triumph of genius, except Sallust, Cæsar, Livy, Plutarch, and Tacitus. There is another field of prose composition in which the Greeks and Romans gained great distinction, and proved themselves equal to any nation of modern times,——that of eloquence. It is true, we have not a rich collection of ancient speeches; but we have every reason to believe that both Greeks and Romans were most severely trained in the art of public speaking, and that forensic eloquence was highly prized and munificently rewarded. It began with democratic institutions, and flourished as long as the People were a great power in the State; it declined when- ever and wherever tyrants bore rule. Eloquence and liberty flourish together; nor can there be eloquence where there is not freedom of debate. In the fifth century before Christ——the first century of democ- racy——great orators arose, for without the power and the opportunity of defending himself against accusa- tion no man could hold an ascendent position. Soc- rates insisted upon the gift of oratory for a general in the army as well as for a leader in political life. In Athens the courts of justice were numerous, and those who could not defend themselves were obliged to secure the services of those who were trained in the use of public speaking. Thus arose the lawyers, among whom eloquence was more in demand and more richly paid than in any other class. Rheto- ric became connected with dialectics, and in Greece, Sicily, and Italy both were extensively cultivated. Empedocles was distinguished as much for rhetoric as for philosophy. It was not, however, in the courts of law that eloquence displayed the greatest fire and passion, but in political assemblies. These could only coexist with liberty; for a democracy is more favor- able than an aristocracy to large assemblies of citi- zens. In the Grecian republics eloquence as an art may be said to have been born. It was nursed and fed by political agitation, by the strife of parties. It arose from appeals to the people as a source of power; when the people were not cultivated, it addressed chiefly popular passions and prejudices; when they were enlightened, it addressed interests. It was in Athens, where there existed the purest form of democratic institutions, that eloquence rose to the loftiest heights in the ancient world, so far as eloquence appeals to popular passions. Pericles, the greatest statesman of Greece, 495 B. C., was celebrated for his eloquence, although no specimens remain to us. It was conceded by the ancient authors that his oratory was of the highest kind, and the epithet of "Olympian" was given him, as carrying the weapons of Zeus upon his tongue. His voice was sweet, and his utterance distinct and rapid. Peisistratus was also famous for his eloquence, although he was a usurper and a tyrant. Isocrates, 436 B. C., was a professed rhetorician, and endeavored to base his art upon sound moral principles, and rescued it from the influence of the Sophists. He was the great teacher of the most eminent statesmen of his day. Twenty-one of his orations have come down to us, and they are exces- sively polished and elaborated; but they were written to be read, they were not extemporary. His language is the purest and most refined Attic dialect. Lysias, 458 B. C., was a fertile writer of orations also, and he is reputed to have produced as many as four hundred and twenty-five; of these only thirty-five are extant. They are characterized by peculiar gracefulness and elegance, which did not interfere with strength. So able were these orations that only two were unsuc- cessful. They were so pure that they were regarded as the best canon of the Attic idiom. But all the orators of Greece——and Greece was the land of orators——gave way to Demosthenes, born 358 B. C. He received a good education, and is said to have been instructed in philosophy by Plato and in eloquence by Isocrates; but it is more probable that he privately prepared himself for his brilliant career. As soon as he attained his majority, he brought suits against the men whom his father had appointed his guardians, for their waste of property, and after two years was successful, conducting the prosecution him- self. It was not until the age of thirty that he ap- peared as a speaker in the public assembly on political matters, where he rapidly attained universal respect, and became one of the leading statesmen of Athens. Henceforth he took an active part in every question that concerned the State. He especially distinguished himself in his speeches against Macedonian aggrandize- ments, and his Philippics are perhaps the most brilliant of his orations. But the cause which he advocated was unfortunate; the battle of Cheronæa, 338 B. C., put an end to the independence of Greece, and Philip of Mace- don was all-powerful. For this catastrophe Demos- thenes was somewhat responsible, but as his motives were conceded to be pure and his patriotism lofty, he retained the confidence of his countrymen. Accused by Æschines, he delivered his famous Oration on the Crown. Afterward, during the supremacy of Alex- ander, Demosthenes was again accused, and suffered exile. Recalled from exile on the death of Alexan- der, he roused himself for the deliverance of Greece, without success; and hunted by his enemies he took poison in the sixty-third year of his age, having vainly contended for the freedom of his country,——one of the noblest spirits of antiquity, and lofty in his private life. As an orator Demosthenes has not probably been equalled by any man of any country. By his con- temporaries he was regarded as faultless in this re- spect; and when it is remembered that he struggled against physical difficulties which in the early part of his career would have utterly discouraged any ordinary man, we feel that he deserves the highest commendation. He never spoke without preparation, and most of his orations were severely elaborated. He never trusted to the impulse of the occasion; he did not believe in extemporary eloquence any more than Daniel Webster, who said there is no such thing. All the orations of Demosthenes exhibit him as a pure and noble patriot and are full of the loftiest sentiments. He was a great artist, and his oratorical successes were greatly owing to the arrangement of his speeches and the application of the strongest arguments in their proper places. Added to this moral and intellectual superiority was the "magic power of his language, majestic and simple at the same time, rich yet not bombastic, strange and yet familiar, solemn and not too ornate, grave and yet pleasing, concise and yet fluent, sweet and yet im- pressive, which altogether carried away the minds of his hearers." His orations were most highly prized by the ancients, who wrote innumerable commentaries on them, most of which are lost. Sixty of the great productions of his genius have come down to us. Demosthenes, like other orators, first became known as the composer of speeches for litigants; but his fame was based on the orations he pronounced in great po- litical emergencies. His rival was Æschines, who was vastly inferior to Demosthenes, although bold, vigorous, and brilliant. Indeed the opinions of mankind for two thousand years have been unanimous in ascribing to Demosthenes the highest position as an orator among all the men of ancient and modern times. David Hume says of him that "could his manner be copied, its success would be infallible over a modern audience." Says Lord Brougham, "It is rapid harmony exactly adjusted to the sense. It is vehement reasoning, without any appearance of art. It is disdain, anger, boldness, freedom involved in a continual stream of argument; so that of all human productions his ora- tions present to us the models which approach the nearest to perfection." It is probable that the Romans were behind the Athenians in all the arts of rhetoric; yet in the days of the republic celebrated orators arose among the law- yers and politicians. It was in forensic eloquence that Latin prose first appeared as a cultivated language; for the forum was to the Romans what libraries are to us. The art of public speaking in Rome was early developed. Cato, Lælius, Carbo, and the Gracchi are said to have been majestic and harmonious in speech, yet excelled by Antonius, Crassus, Cotta, Sulpitius, and Hortensius. The last had a very brilliant career as an orator, though his orations were too florid to be read. Cæsar was also distinguished for his eloquence, its characteristics being force and purity. "Cœlius was noted for lofty sentiment, Brutus for philosophi- cal wisdom, Calidius for a delicate and harmonious style, and Calvus for sententious force." But all the Roman orators yielded to Cicero, as the Greeks did to Demosthenes. These two men are al- ways coupled together when allusion is made to elo- quence. They were pre-eminent in the ancient world, and have never been equalled in the modern. Cicero, 106 B. C., was probably not equal to his great Grecian rival in vehemence, in force, in fiery argument which swept everything away before him, nor gener- ally in original genius; but he was his superior in learning, in culture, and in breadth. Cicero distin- guished himself very early as an advocate, but his first great public effort was made in the prosecution of Verres for corruption. Although Verres was defended by Hortensius and backed by the whole influence of the Metelli and other powerful families, Cicero gained his cause,——more fortunate than Burke in his prose- cution of Warren Hastings, who also was sustained by powerful interests and families. The speech on the Manilian Law, when Cicero appeared as a political ora- tor, greatly contributed to his popularity. I need not describe his memorable career,——his successive elec- tions to all the highest offices of the state, his detection of Catiline's conspiracy, his opposition to turbulent and ambitious partisans, his alienations and friendships, his brilliant career as a statesman, his misfortunes and sorrows, his exile and recall, his splendid services to the State, his greatness and his defects, his virtues and weaknesses, his triumph and martyrdom. These are foreign to my purpose. No man of heathen antiquity is better known to us, and no man by pure genius ever won more glorious laurels. His life and labors are im- mortal. His virtues and services are embalmed in the heart of the world. Few men ever performed greater literary labors, and in so many of its departments. Next to Aristotle and Varro, Cicero was the most learned man of antiquity, but performed more varied labors than either, since he was not only great as a writer and speaker, but also as a statesman, being the most conspicuous man in Rome after Pompey and Cæsar. He may not have had the moral greatness of Socrates, nor the philosophical genius of Plato, nor the overpowering eloquence of Demosthenes, but he was a master of all the wisdom of antiquity. Even civil law, the great science of the Romans, became interesting in his hands, and was divested of its dryness and technicality. He popularized history, and paid honor to all art, even to the stage; he made the Romans conversant with the philosophy of Greece, and systematized the various speculations. He may not have added to philosophy, but no Roman after him understood so well the practical bearing of all its various systems. His glory is purely intellectual, and it was by sheer genius that he rose to his exalted position and influence. But it was in forensic eloquence that Cicero was pre-eminent, in which he had but one equal in ancient times. Roman eloquence culminated in him. He composed about eighty orations, of which fifty-nine are preserved. Some were delivered from the rostrum to the people, and some in the senate; some were mere philippics, as severe in denunciation as those of De- mosthenes; some were laudatory; some were judicial; but all were severely logical, full of historical allusion, profound in philosophical wisdom, and pervaded with the spirit of patriotism. Francis W. Newman, in his "Regal Rome," thus describes Cicero's eloquence:—— "He goes round and round his object, surveys it in every light, examines it in all its parts, retires and then advances, compares and contrasts it, illustrates, confirms, and enforces it, till the hearer feels ashamed of doubting a position which seems built on a foundation so strictly argumenta- tive. And having established his case, he opens upon his opponent a discharge of raillery so delicate and good-natured that it is impossible for the latter to maintain his ground against it; or, when the subject is too grave, he colors his exaggerations with all the bitterness of irony and vehemence of passion." Critics have uniformly admired Cicero's style as peculiarly suited to the Latin language, which, being scanty and unmusical, requires more redundancy than the Greek. The simplicity of the Attic writers would make Latin composition bald and tame. To be per- spicuous, the Latin must be full. Thus Arnold thinks that what Tacitus gained in energy he lost in elegance and perspicuity. But Cicero, dealing with a barren and unphilosophical language enriched it with circum- locutions and metaphors, while he freed it of harsh and uncouth expressions, and thus became the greatest mas- ter of composition the world has seen. He was a great artist, making use of his scanty materials to the best effect; he had absolute control over the resources of his vernacular tongue, and not only unrivalled skill in composition, but tact and judgment. Thus he was generally successful, in spite of the venality and cor- ruption of the times. The courts of justice were the scenes of his earliest triumphs; nor until he was prætor did he speak from the rostrum on mere political ques- tions, as in reference to the Manilian and Agrarian laws. It is in his political discourses that Cicero rises to the highest ranks. In his speeches against Verres, Catiline, and Antony he kindles in his countrymen lofty feelings for the honor of his country, and abhor- rence of tyranny and corruption. Indeed, he hated bloodshed, injustice, and strife, and beheld the down- fall of liberty with indescribable sorrow. Thus in oratory as in history the ancients can boast of most illustrious examples, never even equalled. Still, we cannot tell the comparative merits of the great classical orators of antiquity with the more dis- tinguished of our times; indeed only Mirabeau, Pitt, Fox, Burke, Brougham, Webster, and Clay can even be compared with them. In power of moving the people, some of our modern reformers and agitators may be mentioned favorably; but their harangues are comparatively tame when read. In philosophy the Greeks and Romans distinguished themselves more even than in poetry, or history, or eloquence. Their speculations pertained to the loftiest subjects that ever tasked the intellect of man. But this great department has already been presented. There were respectable writers in various other de- partments of literature, but no very great names whose writings have descended to us. Contemporaries had an exalted opinion of Varro, who was considered the most learned of the Romans, as well as their most voluminous author. He was born ten years before Cicero, and is highly commended by Augustine. He was entirely devoted to literature, took no interest in passing events, and lived to a good old age. Saint Augustine says of him that "he wrote so much that one wonders how he had time to read; and he read so much, we are astonished how he found time to write." He composed four hundred and ninety books. Of these only one has descended to us entire,——"De Re Rustica," written at the age of eighty; but it is the best treatise which has come down from antiquity on ancient agriculture. When have parts of his other books, and we know of still others that have entirely per- ished which for their information would be invalu- able, especially his "Divine Antiquities," in sixteen books,——his great work, from which Saint Augustine drew material for the "City of God." Varro wrote treatises on language, on the poets, on philosophy, on geography, and on various other subjects; he also wrote satire and criticism. But although his writ- ings were learned, his style was so bad that the ages have failed to preserve him. The truly immortal books are most valued for their artistic excellences. No man, however great his genius, can afford to be dull. Style is to written composition what delivery is to a public speaker. The multitude do not go to hear the man of thoughts, but to hear the man of words, being repelled or attracted by manner. Seneca was another great writer among the Romans, but he belongs to the domain of philosophy although it is his ethical works which have given him immortal- ity,——as may be truly said of Socrates and Epictetus, although they are usually classed among the philoso- phers. Seneca was a Spaniard, born but a few years before the Christian era; he was a lawyer and a rhe- torician, also a teacher and minister to Nero. It was his misfortune to know one of the most detestable princes that ever scandalized humanity, and it is not to his credit to have accumulated in four years one of the largest fortunes in Rome while serving such a master; but since he lived to experience Nero's in- gratitude, Seneca is more commonly regarded as a martyr. Had he lived in the republican period, he would have been a great orator. He wrote volumi- nously, on many subjects, and was devoted to a lit- erary life. He rejected the superstitions of his coun- try, and looked upon the ritualism of religion as a mere fashion. In his own belief he was a deist; but though he wrote fine ethical treatises, he dishonored his own virtues by a compliance with the vices of others. He saw much of life, and died at fifty-three What is remarkable in Seneca's writings, which are clear but labored, is that under Pagan influences and imperial tyranny he should have presented such lofty moral truth; and it is a mark of almost transcendent talent that he should, unaided by Christianity, have soared so high in the realm of ethical inquiry. Nor is it easy to find any modern author who has treated great questions in so attractive a way. Quintilian is a Latin classic, and belongs to the classof rhetoricians. He should have been men- tioned among the orators, yet, like Lysias the Greek, Quintilian was a teacher of eloquence rather than an orator. He was born 40 A. D., and taught the younger Pliny, also two nephews of Domitian, re- ceiving a regular salary from the imperial treasury. His great work is a complete system of rhetoric. "Institutiones Oratoriæ" is one of the clearest and fullest of all rhetorical manuals ever written in any language, although, as a literary production, it is in- ferior to the "De Oratore" of Cicero. It is very practical and sensible, and a complete compendium of every topic likely to be useful in the education of an aspirant for the honors of eloquence. In sys- temic arrangement it falls short of a similar work by Aristotle; but it is celebrated for its sound judg- ment and keen discrimination, showing great reading and reflection. Quintilian should be viewed as a critic rather than as a rhetorician, since he entered into the merits and defects of the great masters of Greek and Roman literature. In his peculiar province he has had no superior. Like Cicero or Demosthenes or Plato or Thucydides or Tacitus, Quintilian would be a great man if he lived in our times, and could proudly challenge the modern world to produce a better teacher than he in the art of public speaking. There were other classical writers of immense fame, but they do not represent any particular class in the field of literature which can be compared with the modern. I can only draw attention to Lucian,——a witty and voluminous Greek author, who lived in the reign of Commodus, and who wrote rhetorical, critical, and biographical works, and even romances which have given hints to modern authors. His fame rests on his "Dialogues," intended to ridicule the heathen philoso- phy and religion, and which show him to have been one of the great masters of ancient satire and mockery. His style of dialogue——a combination of Plato and Aristophanes——is not much used by modern writers, and his peculiar kind of ridicule is reserved now for the stage. Yet he cannot be called a writer of com- edy, like Molière. He resembles Rabelais and Swift more than any other modern writers, having their indignant wit, indecent jokes, and pungent sarcasms. Like Juvenal, Lucian paints the vices and follies of his time, and exposes the hypocrisy that reigns in the high places of fashion and power. His dialogues have been imitated by Fontanelle and Lord Lyttleton, but these authors do not possess his humor or pungency. Lucian does not grapple with great truths, but con- tents himself with ridiculing those who have pro- claimed them, and in his cold cynicism depreciates human knowledge and all the great moral teachers of mankind. He is even shallow and flippant upon Socrates; but he was well read in human nature, and superficially acquainted with all the learning of antiquity. In wit and sarcasm he may be compared with Voltaire, and his object was the same,——to de- molish and pull down without substituting anything instead. His skepticism was universal, and extended to religion, to philosophy, and to everything venerated and ancient. His purity of style was admired by Erasmus, and his works have been translated into most European languages. In strong contrast to the "Dialogues" of Lucian is the "City of God" by Saint Augustine, in which he demolishes with keener ridi- cule all the gods of antiquity, but substitutes instead the knowledge of the true God. Thus the Romans, as well as Greeks, produced works in all departments of literature that will bear com- parison with the masterpieces of modern times. And where would have been the literature of the early Church, or the age of the Reformation, or of the mod- ern nations, had not the great original writers of Athens and Rome been our school-masters? When we further remember that their glorious literature was created by native genius, without the aid of Christianity, we are filled with amazement, and may almost be excused if we deify the reason of man. Nor, indeed, have greater triumphs of intellect been witnessed in these our Christian times than are pro- duced among that class which is the least influenced by Christian ideas. Some of the proudest trophies of genius have been won by infidels, or by men stigma- tized as such. Witness Voltaire, Rousseau, Diderot, Hegel, Fichte, Gibbon, Hume, Buckle. May there not be the greatest practical infidelity with the most ar- tistic beauty and native reach of thought? Milton ascribes the most sublime intelligence to Satan and his angels on the point of rebellion against the majesty of Heaven. A great genius may be kindled even by the fires of discontent and ambition, which may quicken the intellectual faculties while consuming the soul, and spread their devastating influence on the homes and hopes of man. Since, then, we are assured that literature as well as art may flourish under Pagan influences, it seems certain that Christianity has a higher mission than the culture of the mind. Religious scepticism cannot be disarmed if we appeal to Christianity as the test of intellectual culture. The realm of reason has no fairer fields than those that are adorned by Pagan achievements. AUTHORITIES. THERE are no better authorities than the classical authors them- selves, and their works must be studied in order to comprehend the spirit of ancient literature. Modern historians of Roman litera- ture are merely critics, like Dalhmann, Schlegel, Niebuhr, Muller, Mommsen, Mure, Arnold, Dunlap, and Thompson. Nor do I know of an exhaustive history of Roman literature in the English language; yet nearly every great writer has occasional criticisms upon the subject which are entitled to respect. The Germans, in this department, have no equals. 
from Beacon Lights of History, by John Lord, LL. D., Volume I, Part I: The Old Pagan Civilizations Copyright 1883, 1888, by John Lord. Copyright 1921, By Wm. H. Wise & Co., New York; pp. 359—377.
Renúncia do professor Pileni como editor-chefe do Open Chemical Physics Journal: uma carta aberta de Niels Harrit
Depois do artigo intitulado "[Material Termitico Ativo Descoberto em Pó do Mundo do 11 de Setembro] Catástrofe do Centro de Comércio](https://benthamopen.com/contents/pdf/TOCPJ/TOCPJ-2-7.pdf)," que eu junto com oito colegas de co-autoria, foi publicado no Open Chemical Physics Journal, sua editora-chefe, a professora Marie-Paule Pileni, abruptamente resignado. Tem sido sugerido que esta renúncia põe em dúvida a solidez científica do nosso papel.
No entanto, a professora Pileni fez a única coisa que pôde fazer, se quisesse salvar sua carreira. Depois de renunciando, ela não criticou nosso papel. Em vez disso, ela disse que não podia ler e avaliar, porque, ela alegou, está fora das áreas de sua especialidade.
Mas isso não é verdade, conforme mostrado pelas informações contidas em seu próprio site. Sua lista de publicações revela que o professor Pileni publicou centenas de artigos no campo da nanociência e nanotecnologia. Ela é, de fato, reconhecida como uma das líderes no campo. Sua declaração sobre sua "grande pesquisa avançada" aponta que, já em 2003, ela era "a 25ª mais alta citada cientista em nanotecnologia ".
Desde o final dos anos 80, ela serviu como consultora para o Exército Francês e outras Forças Armadas. instituições. De 1990 a 1994, por exemplo, ela atuou como consultora da Société Nationale des Poudres et Explosifs (Sociedade Nacional de Pós e Explosivos).
Ela poderia, portanto, ler facilmente o nosso trabalho, e ela certamente o fez. Mas negando que ela tivesse leia-o, ela evitou a pergunta que inevitavelmente teria sido feita a ela: "O que você acha disso?"
Diante dessa pergunta, ela teria duas opções. Ela poderia ter criticado, mas isso tem sido difícil sem inventar alguma crítica artificial, que ela como uma boa cientista com um excelente reputação certamente não teria desejado fazer. A única outra opção teria sido reconhecer a solidez do nosso trabalho e suas conclusões. Mas isso teria ameaçado sua carreira.
A renúncia do professor Pileni da revista fornece uma visão sobre as condições de liberdade de expressão em nossas universidades e outras instituições acadêmicas após o 11 de setembro. Esta situação é um espelho de sociedade ocidental como um todo - mesmo que nossas instituições acadêmicas devam ser refúgios em é avaliado por sua excelência intrínseca, não por sua correção política.
No país do professor Pileni, a França, o esforço para refrear os direitos civis dos professores nas universidades é especialmente forte, e a luta é feroz.
Eu concluirei com dois pontos. Primeiro, a causa da verdade do 11 de setembro não é a que ela adotou, e O curso de ação que ela escolheu foi o que ela teve que fazer para salvar sua carreira. Eu não nutro sentimentos ruins por Professor Pileni pela escolha que ela fez.
Em segundo lugar, sua renúncia da revista por causa da publicação do nosso trabalho não implicava nada negativo sobre o papel.
De fato, o próprio fato de ela não oferecer críticas a ela forneceu, implicitamente, uma avaliação positiva. um reconhecimento de que sua metodologia e conclusões não poderiam ser desafiadas com credibilidade.
(Reimpresso de 911blogger.com)
Torre Sul Metal Fundido & Colapso
Cara a cara com Niels Harrit
Hipótese - Steven E. Jones
Отставка профессора Пилени с поста главного редактора журнала «Открытая химическая физика»: открытое письмо от Нильса Харрита
После статьи под названием "Активный thermitic материал, найденный в WTC катастрофы," который я вместе с восемью коллегами в соавторстве опубликовал, был опубликован в журнале Open Chemical Physics Journal его главный редактор, профессор Мари-Пол Пилени, внезапно подал в отставку. Было высказано предположение, что эта отставка ставит под сомнение научную обоснованность нашей бумаги.
Однако профессор Пилени сделала единственное, что она могла сделать, если она хотела сохранить свою карьеру. После уйдя в отставку, она не стала критиковать нашу газету. Скорее, она сказала, что не может читать и оценивать это, потому что, по ее словам, это лежит за пределами ее компетенции.
Но это не так, как показывает информация, содержащаяся на ее собственном веб-сайте. Ее список публикаций показывает, что профессор Пилени опубликовал сотни статей в области нанонауки и нанотехнологии. На самом деле она признана одним из лидеров в этой области. Ее заявление о в ее «крупном углубленном исследовании» отмечается, что уже к 2003 году она была «25-й по счету» ученый по нанотехнологиям ".
Более того, с конца 1980-х годов она была консультантом французской армии и других военных учреждения. Например, с 1990 по 1994 год она работала консультантом в Société Nationale. des Poudres et Explosifs (Национальное общество порошков и взрывчатых веществ).
Поэтому она могла бы легко прочитать нашу газету, и она, безусловно, сделала. Но отрицая, что она имела прочитав ее, она избежала вопроса, который неизбежно был бы ей задан: «Что вы об этом думаете?»
Столкнувшись с этим вопросом, у нее было бы два варианта. Она могла бы критиковать это, но это было трудно без изобретения какой-то искусственной критики, которую она, как хороший ученый с отличную репутацию уж точно бы не хотел делать. Единственным другим вариантом было бы признать обоснованность нашей работы и ее выводы. Но это поставило бы под угрозу ее карьеру.
Отставка профессора Пилени из журнала дает представление об условиях свободы слова в наши университеты и другие академические учреждения после 9/11. Эта ситуация является зеркалом западное общество в целом - хотя наши академические институты должны быть убежищем, в котором исследования оценивается по внутреннему совершенству, а не по политкорректности.
В стране профессора Пилени, Франция, стремление обуздать гражданские права профессоров в университетах особенно сильны, и борьба жестока.
Я заключу с двумя пунктами. Во-первых, причина истины 11 сентября - не та, которую она взяла на курс, который она выбрала, был тем, что она должна была сделать, чтобы спасти свою карьеру. Я не питаю дурных чувств к Профессор Пилени за выбор, который она сделала.
Во-вторых, ее уход из журнала из-за публикации нашей газеты не подразумевал ничего негативного о бумаге
Действительно, тот факт, что она не высказывала никакой критики, косвенно положительно оценивал --- признание того, что его методология и выводы не могут быть оспорены.
(Перепечатано с 911blogger.com)
Расплавленный металл и обрушение южной башни
Лицом к лицу с Нильсом Харритом
Гипотеза - Стивен Э. Джонс
submitted by MarleyEngvall to Vesuvius [link] [comments]


2019.01.15 12:34 guerrilheiro_urbano INDIVÍDUO VERSUS CIDADÃO. Artigo de Mark Lilla

Muitos jovens de hoje, não apenas nos Estados Unidos, olham para a democracia sob a luz das identidades.
Eles não se consideram cidadãos democráticos, mas indivíduos, cada um com sua própria identidade que os torna diferentes dos outros. Hoje, muitos jovens nos Estados Unidos circunscrevem o seu comprometimento político aos problemas sociais que consideram façam referência à sua identidade.
Para uma pessoa como eu, que cresceu durante as batalhas ideológicas da Guerra Fria, é desconcertante ver tantos jovens tão concentrados em questões pessoais de gênero e pouco atentos a questões de justiça econômica ou de política internacional. As grandes ideologias e as narrativas que tentavam explicar tudo tinham problemas, mas pelo menos mostravam como as coisas estavam ligadas entre si.
O resultado de tudo isto é que nos EUA a esquerda radical se opõe ao neoliberalismo econômico e promove o que se poderia chamar de um neoliberalismo social. Construir solidariedade não é seu objetivo principal. Apenas fortalece o individualismo radical de nossos tempos.
Os efeitos da globalização econômica desestabilizaram os governos em todo o mundo e aumentaram a diferença entre uma elite rica e instruída e uma subclasse crescente e insatisfeita, desprovida de esperança. A imigração descontrolada só a tornou mais rancorosa. O neoliberalismo social, também teve um efeito psicológico e enfraqueceu os vínculos sociais. Os jovens adiam o casamento ou escolhem morar sozinhos.
Os casos de depressão e suicídio continuam a aumentar. Isso não acontece porque falte dinheiro e oportunidades, mas porque estamos nos tornando o que Michel Houellebecq (https://www.youtube.com/watch?v=9YJ_WaGqFpM) chamou em seus apavorantes romances de "partículas elementares".
As sociedades democráticas estão desmoronando. Governos incapazes de controlar os efeitos da economia global ou a imigração ilegal parecem fracos e inadequados. Isso leva os eleitores a mudar continuamente líderes e partidos que prometem conseguir controlar essas forças, mas não são capazes.
Como demonstram as eleições nos Estados Unidos, o meu país está dividido entre duas tribos que sentem uma profunda desconfiança uma em relação à outra. Por um lado, existe uma elite cosmopolita, liberal e instruída que coloca a ênfase nas questões de identidade pessoal, despreza a religião e quer acolher os imigrantes, legais ou ilegais que sejam, em uma sociedade multicultural. Esta elite domina nossas instituições culturais: as universidades, a mídia e Hollywood. A tribo da direita, ao contrário, reúne os menos instruídos, mais religiosos, brancos e do sexo masculino.
Sentindo desprezo pelas elites culturais, esta tribo afirma a própria identidade política para competir com os outros grupos. Os populistas sempre souberam como convencê-los de que eles eram o verdadeiro "povo” americano, não as elites, e que seu País lhe tinha sido roubado. Esta direita norte-americana atualmente controla todos os níveis de governo. E na liderança está um endemoniado e hábil demagogo que acumula poder colocando os norte-americanos uns contra os outros.
O que se pode fazer? A longo prazo, teremos que redescobrir as virtudes da cidadania. As nossas sociedades são muito diferentes hoje.
Levamos uma vida privada mais individualista do que no passado. No entanto, nossos destinos estão todos unidos: existe um bem comum que deve ser protegido no interesse de todos. E se queremos pedir às pessoas para protegê-lo, temos que confiar não em um desejo, mas sim em um dado social: sejam quais forem nossas diferenças ou a nossa tribo, o que nós compartilhamos é a cidadania.
Somos todos cidadãos nascidos ou naturalizados e merecemos ser tratados de forma equânime, tendo em mente que ser cidadão significa não só ter direitos, mas também deveres, uns em relação aos outros e com nossas repúblicas.

Manter um senso cívico é muito difícil. É por isso que, desde o mundo antigo, as democracias têm sofrido de entropia: a única coisa que realmente as mantém unidas é a cidadania. Se tal ligação tiver bases imperfeita ou estiver enfraquecido, a estrutura desmorona.
Uma situação semelhante é visível na Europado Leste. Após a queda do muro, em 1989, as instituições democráticas foram criadas, mas o que os fundadores daquelas instituições não podiam criar era um sentido de cidadania, que requer a sucessão de várias gerações.
Hoje, no entanto, vemos a Polônia e a Hungria abraçando e celebrando o que o presidente húngaro Viktor Orbán define de "democracia iliberal". Nesses países e na Itália, Áustria e França existem forças políticas que estão estabelecendo o que parece ser uma nova Frente Popular, desta vez sob a forma de direita radical.
É difícil não ter a impressão de que este é um filme que já foi visto.
As democracias sem democratas não duram. Elas se decompõem, transformando-se em oligarquias, teocracias, nacionalismos étnicos, sistemas autoritários ou numa mistura de todos estes elementos.
Eu não estou exagerando quando digo que os sinais de cada uma dessas patologias são visíveis na vida democrática norte-americana atual. Entristece-me pensar que a Itália em breve poderá sofrer da nossa mesma doença.

FONTE: https://rep.repubblica.it/pwa/generale/2019/01/08/news/le_idee_all_origine_del_populismo_individuo_contro_cittadino-216119942/
submitted by guerrilheiro_urbano to BrasildoB [link] [comments]


2018.01.19 19:14 desafiodos7anos A História do Olho.

Numa aula de Teoria da Comunicação de Massa no semestre passado, tive uma breve conversa com o professor Rüdiger a respeito de obras de arte que poderiam ser consideradas “perturbadoras”. Eu mencionei o romance “Viagem ao Fim da Noite” do Céline, os romances do Albert Camus (“O Estrangeiro”, “A Queda” e o ensaio “O Mito de Sísifo”), e também os filmes e textos do Pasolini (nunca vi nenhum, mas li a respeito). O Rüdiger citou o filme “Henry, Retrato de um Assassino”, o “Filosofia na Alcova” do Marquês de Sade e, sobretudo, um livro do qual eu nunca tinha ouvido falar: “A História do Olho”, de um falecido autor francês chamado Georges Bataille. Ele definiu este como o livro “mais terrível” que ele já tinha lido.
Saí à procura do livro. É completamente desconhecido nas livrarias ou sebos de Porto Alegre. Descobri que até mesmo na França e EUA é uma obra difícil de encontrar, um típico livro “maldito”, muito mais citado do que lido. Mas consegui encomendá-lo pela Livraria Cultura através da internet, numa edição portuguesa (“Livros do Brasil” de Lisboa, 1988), por cerca de 20 reais mais frete.
Li o livro, curiosíssimo para saber o que poderia ser tão “terrível” numa obra literária. Bem, não é que a História do Olho seja “terrível”. Mas é sem dúvida perturbadora. O livro narra episódios na vida de um adolescente de 16 anos que, junto com uma amiga chamada Simone, mergulha num caminho aparentemente sem fim de atos obscenos e perversos. Logo na primeira página do livro o narrador conhece Simone. Na segunda página, ela levanta o vestido e, sem calcinha, agacha-se sobre um prato de leite, mergulhando ali a buceta. Vendo o leite escorrer pelas coxas da garota, o narrador “esfrega sua verga, debatendo-se no chão” (traduções portuguesas são um barato…).
Esta já é uma cena com aspecto obsceno maior do que a média encontrada nos livros e filmes por aí. Mas é só o começo da História do Olho. Em cada página seguinte o nível de perversão aumenta, as situações ficam cada vez mais perturbadoras, passando por uma trágica suruba de adolescentes, onde uma menina se enforca dentro de um armário enquanto urina, e culminando no último capítulo com uma indescritível “missa” celebrada pelos protagonistas numa igreja, com a participação não-voluntária de um padre. Outra característica do texto é lidar com símbolos surrealistas. Há muitos elementos recorrentes: o olho, o ovo, os testículos de um touro, o sangue, a urina, o orgasmo (Bataille: “uma doce morte, particularmente ameaçadora para a censura e a burguesia, por seu caráter de ruptura e anarquia”), a morte. Numa cena do livro, os personagens assistem a uma tourada, e no exato momento em que o touro acerta o toureiro na arena, fazendo com que seu olho “esvazie-se para fora da cara”, Simone introduz na vagina um testículo de boi, tendo um orgasmo.
O olho, no mundo “normal”, é um órgão nobre, símbolo da visão, da percepção, da beleza, da razão e da virtude do corpo. O ovo é símbolo da vida, pureza, exatidão, natureza. No livro de Bataille, ambos são instrumentos de perversão, símbolos da obscenidade, do sexo e da irracionalidade do corpo; olhos são arrancados do rosto de um padre e introduzidos na vagina, ovos são enfiados no cu de Simone e ali apertados até se quebrarem. É deste tipo de evento surreal (porém incomodamente realísticos) que a narrativa de “A História do Olho” se compõe.
Mas o que torna tudo isto “perturbador” não é a mera obscenidade dos fatos, e sim a atitude dos personagens diante destes fatos: é como se fossem a coisa mais normal do mundo: não há questionamentos e nem consequencias. O leitor fica tentado a admitir que todas estas coisas são toleráveis e normais, e que portanto o mundo é por natureza sórdido e obsceno, resultando, finalmente, no efeito “perturbador”: a ruptura, no leitor, das noções de normalidade, de moralidade, das idéias positivistas de razão e pureza do corpo.
Este é o segredo íntimo de qualquer obra de arte considerada perturbadora: o de romper com ilusões que nem sabemos existir, chamar a tua atenção pra algumas verdades que inquietam, ou que subvertem a tua visão de mundo usual. Geralmente isto só é possível através da violência, da obscenidade, do humor negro ou da revolta. “A historia do olho” consegue isso através da obscenidade. O “Viagem ao fim da noite”, através da violência. “O Estrangeiro”, através da revolta. Perturbar é, de certa forma, romper com ideologias, ainda que temporariamente. Assim fizeram Céline (“a única verdade do mundo é a morte”), Sade, Pasolini, Henry Miller, Bataille, Buñuel e outros, e conseguiram atingir as pessoas e produzir obras de arte porque tinham idéias poderosas e criatividade estética.
submitted by desafiodos7anos to brasil [link] [comments]


2016.03.31 18:16 semnom3 Tribunal de Justiça determina perda de mandato do prefeito de Petrópolis Rubens Bomtempo é acusado de improbidade administrativa; ele pode ter os direitos políticos suspensos por cinco anos

http://www1.tjrj.jus.bgedcacheweb/default.aspx?UZIP=1&GEDID=0004A0FB061CE66AD9F16BFC9E96B29DBB24C5045E1D444E&USER
Apelação Cível 0000977-12.2010.8.19.0042 FLS.1 Secretaria da Terceira Câmara Cível Rua Dom Manuel, nº 37, sala 532, Lâmina III Centro – Rio de Janeiro/RJ – CEP 20010-010 Tel.: + 55 21 3133-6003/3133-6293– E-mail: [email protected] – PROT. 552 RO/trf Apelante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Apelante: RUBENS JOSÉ FRANÇA BOMTEMPO Apelante: PAULO ROBERTO PATULEA Apelados: OS MESMOS Relator: Des. Fernando Foch Processo Originário: 0000977-12.2010.8.19.0042 Juízo de Direito da 4.ª Vara Cível da Comarca de Petrópolis
Também permite que se evoque o grande escritor, dramaturgo e teledramaturgo Dias Gomes, com a novela televisiva “O Bem-Amado”, todopoderoso prefeito de uma emblemática Sucupira, a mesma do romance homônimo e da peça teatral “Odorico, o Bem-Amado ou Os Mistérios do Amor e da Morte” — múltipla obra inspirada por certo em práticas políticas de cidades do interior, o qual não há de ser da França no Século XVIII. Muito menos de Paris da mesma época. Não o disfarça o provinciano ou, que provinciano não seja, o pueril recurso retórico de substituir o próprio nome por “Prefeitura Municipal”, como se isso tornasse lícito o antidemocrático comportamento que, de resto, fere o princípio constitucional fundamental da separação dos poderes, estabelecido no art. 2.º da Constituição da República.
http://oglobo.globo.com/rio/tribunal-de-justica-determina-perda-de-mandato-do-prefeito-de-petropolis-18987772
PREFEITO RESPONDE
O prefeito Rubens Bomtempo, através de nota, informou que a decisão não afeta seu mandato. Ele vai recorrer e garante que está confiante na justiça. É importante ressaltar que o artigo 20 da Lei de Improbidade Administrativa prevê que a perda de função pública só acontece quando o processo se encontra transitado em julgado. Além disso, não há inelegibilidade, uma vez que claramente não houve enriquecimento ilícito.
submitted by semnom3 to brasil [link] [comments]